É necessário contemplar, aqui, dois aspectos fundamentais.
Primeiro, politicamente toda a situação parece má. A declaração do Presidente da República tem de ser entendida no contexto da actual situação europeia, porque essas declarações são um rude alerta para o status quo político fazer tudo ao seu alcance para prevenir mudanças políticas substanciais na Europa.
A zona euro é uma construção pobre do ponto de vista institucional e a insistência no aprofundamento deste projecto, nas presentes circunstâncias globais, conduzirá ao desaparecimento do euro e, talvez, da própria União Europeia.
Em segundo lugar, Portugal tem um enorme encargo com a dívida soberana, que só é sustentável no contexto de apoio estrito por parte do Banco Central Europeu e das suas operações de compra indirecta de dívida. Este é um país que teve um défice superior a 7% em 2014, com um nível de dívida pública superior a 120% do PIB, uma dívida externa superior a 200% do PIB e uma dívida total (pública e privada) de 370%. Numa recessão, estes números irão crescer. Para que a dívida de Portugal pudesse ser sustentável, no actual contexto institucional e mantendo o mesmo paradigma económico, a austeridade teria de reduzir o défice e o PIB teria de crescer, por várias décadas, acima das taxas dos títulos da dívida pública, mantendo-se, claro, o apoio implícito do BCE.
Olhando para o futuro, o potencial de sustentabilidade da dívida diminui substancialmente. E, assim, poderemos ter outra “Grécia” entre mãos. (...)
O que se passa agora em Portugal, torna a Grécia um caso menos especial e é um sinal do que ainda pode acontecer de mau pelo continente. E isto é um risco para a sustentabilidade da dívida em toda a periferia.
Edward Harrison, "A confusão em que Portugal está mergulhado"
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terça-feira, 27 de outubro de 2015
Citação do dia (191)
terça-feira, 8 de julho de 2014
Inevitabilidades
Já por aqui nos tínhamos questionado acerca do que apenas alguns parecem saber. Hoje, graças a Carlos Guimarães Pinto (O Insurgente), ficamos a saber que há mais quem saiba o que se passa. Pelos vistos, não sabe é o que fazer perante os problemas. Mas, não tenhamos dúvidas, levará adiante o delírio. Apresentado com um discurso carregado de palavras como: "justiça", "solidariedade", "igualdade" ou "futuro promissor". Que serão os pilares da oposição à "especulação", ao "capitalismo selvagem", às "diferenças" ou ao "roubo".
Em Espanha, para além da busca, já implementam soluções para os mesmos problemas. Diferentes, mas igualmente preocupantes.
Serão inevitáveis estes delírios?
Em Espanha, para além da busca, já implementam soluções para os mesmos problemas. Diferentes, mas igualmente preocupantes.
Serão inevitáveis estes delírios?
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Manipulação e Incerteza
Da inércia à aventura
Fernando Gil, “Os inventores do futuro”, 1998
“A previsão impede então a abertura e passa apenas a recobrir uma aspiração à recondução de situações conhecidas, a antecipação consistirá no voto que nada mude e tudo permaneça ´como dantes`. A noção de progresso amputa-se da aventura que representa, para se confinar na dimensão do seguro de vida.
Em vez de gerar este reflexo de angústia, senão de pânico, e portanto comportamentos defensivos ou desesperados, a ideia de risco deve tornar-se uma oportunidade. (...) A incerteza como dimensão existencial fornece à humanidade um trunfo de peso pois permite-lhe recobrar o seu próprio. A verdadeira conduta racional consiste em integrar o risco para além da antecipação prospectiva.”
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