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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Impostos - um cruzamento


Já Nozick, na sua objecção à "Teoria da Justiça" de Rawls (talvez o "liberal" mais amado por socialistas), se referia a "uma concepção padronizada de justiça" que a respectiva teoria comportava. Essa concepção, dizia Nozick, exigia uma intervenção recorrente e mais intensa por parte do estado para fazer cumprir o segundo princípio (segunda alínea) da justiça de Rawls.
Esse princípio - da igualdade de oportunidades - parecia ignorar que as pessoas, sendo diferentes, ao fim de algum tempo teriam entre si novas diferenças, o que exigiria novas interferências de políticas redistributivas que se financiavam nos recursos de alguns cidadãos.
Ora, essa intervenção parecia aceitar que a esses cidadãos não se reconhecesse o respeito pela sua dignidade e da sua propriedade em prol da satisfação daquele segundo princípio.
Nesse caso, não se vê como pode Rawls negar a visão utilitarista das soluções políticas, ou escapar à acusação de que a sua sociedade justa permitiria uma certa escravatura.

É precisamente neste cruzamento, neste dilema que urge dar espaço à discussão destes temas. O facto (mais do que certo, arrisco) de estas referências causarem sorrisos e (até) estupefacção em alguns leitores é, julgo, o justo sinal do cruzamento em que nos encontramos.

Agradecimento a João Cortez (mais uma vez) pela lembrança. A quem sorri, desafio que tente responder à questão que conclui o artigo de Cortez.