Num gesto raro e até surpreendente, Otmar Issing faz a sua radiografia do projecto europeu. Sem receios de encarar a visão consensual que a burocracia europeia tem de si mesma e do conjunto dos dogmas que suportam o projecto, Issing diz coisas como (traduzo): "Um dia o castelo de cartas vem abaixo". Ou que "o euro foi traído pela política".
Descontando a aparente inocência daquelas palavras, estas declarações são importantes para ilustrar o estado do projecto europeu, especialmente depois do Brexit e das manobras de bastidores para prevenir outras saídas.
Declarações que Issing fez à publicação Central Banking e que Ambrose Evans-Pritchard contextualiza no artigo deste domingo.
O despertador está a tocar. Será que alguém o ouve?
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segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Radar
domingo, 3 de janeiro de 2016
Radar
A realidade segue imparável. Deixo aqui aqui a ligação para o último artigo de Ambrose Evans-Pritchard, onde expressa os seus votos para o ano de 2016.
Destaco o último parágrafo e um dos gráficos que acompanha o artigo.
"Ninguém sabe o nível de dor que podemos alcançar como resultado de um sistema global alavancado como nunca. Os rácios de dívida pública e privada rondam os níveis extraordinários de 265% do PIB nos países da OCDE e 185% nas economias emergentes, o que corresponde a um crescimento de 35% desde o topo da bolha de crédito no momento pré-Lehman. Mas isso é uma história de horror para 2017."
O que vemos ali no terceiro lugar?
A realidade em todo o seu esplendor.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Delícias para as noites de Verão
Buscando articular a realidade - revisitação
Correspondendo à tentativa de tentar juntar as peças que gravitam dispersas, publica-se uma outra entrevista de Ambrose Evans-Pritchard (curioso este interesse que aqui decidi acompanhar). Desta vez a entrevista é levada a cabo por um jornalista que tem larga experiência na investigação em torno dos metais monetários (ouro e prata), Lars Schall em nome da empresa suíça Mattherhorn Asset Management.
Note-se a mudança de tom do entrevistado quando, mudando da descrição da situação actual para os fundamentos últimos da mesma, a voz se vai entrecortando. Em particular quando a situação do repatriamento do ouro alemão e as implicações da importância estratégica do metal na relação de forças global são abordadas.
A análise da situação demográfica e económica chinesa é, no mínimo, preocupante. E quando coloca a variável da dívida na equação, então compreendemos a magnitude dos problemas que teremos pela frente globalmente. E a situação europeia? Moeda, energia, relações com a Rússia e a China. Bem, atendendo aos recentes desenvolvimentos no governo francês e as movimentações de Merkel, algo se desenvolve por detrás das cortinas.
Será que conseguimos ver o que será?
Votos de uma tranquila e proveitosa noite de Verão.
Correspondendo à tentativa de tentar juntar as peças que gravitam dispersas, publica-se uma outra entrevista de Ambrose Evans-Pritchard (curioso este interesse que aqui decidi acompanhar). Desta vez a entrevista é levada a cabo por um jornalista que tem larga experiência na investigação em torno dos metais monetários (ouro e prata), Lars Schall em nome da empresa suíça Mattherhorn Asset Management.
Note-se a mudança de tom do entrevistado quando, mudando da descrição da situação actual para os fundamentos últimos da mesma, a voz se vai entrecortando. Em particular quando a situação do repatriamento do ouro alemão e as implicações da importância estratégica do metal na relação de forças global são abordadas.
A análise da situação demográfica e económica chinesa é, no mínimo, preocupante. E quando coloca a variável da dívida na equação, então compreendemos a magnitude dos problemas que teremos pela frente globalmente. E a situação europeia? Moeda, energia, relações com a Rússia e a China. Bem, atendendo aos recentes desenvolvimentos no governo francês e as movimentações de Merkel, algo se desenvolve por detrás das cortinas.
Será que conseguimos ver o que será?
Votos de uma tranquila e proveitosa noite de Verão.
sábado, 23 de agosto de 2014
Estilhaços e realidade
Aceder à realidade
Os nossos leitores já devem conhecer Ambrose Evans-Pritchard e os seus artigos. Seja pelas citações que dele se fazem no blog ZeroHedge ou, directamente, porque conhecem a sua coluna no The Daily Telegraph. O editor de Negócios deu uma entrevista muito esclarecedora acerca das encruzilhadas em que nos encontramos – todos, países desenvolvidos e emergentes, norte e sul – nos planos político e económico. De seguida apresentam-se algumas passagens dessa entrevista. Não posso deixar de recomendar vivamente a leitura integral da mesma.
A tradução e a edição destes parágrafos são da minha responsabilidade. Espero que possam ser uma ajuda para podermos reconstruir adequadamente os pedaços estilhaçados da nossa pobre realidade. Aquela que está para lá do nevoeiro pestilento a que nos conduzem políticos, comentadores e selectos especialistas.
Os nossos leitores já devem conhecer Ambrose Evans-Pritchard e os seus artigos. Seja pelas citações que dele se fazem no blog ZeroHedge ou, directamente, porque conhecem a sua coluna no The Daily Telegraph. O editor de Negócios deu uma entrevista muito esclarecedora acerca das encruzilhadas em que nos encontramos – todos, países desenvolvidos e emergentes, norte e sul – nos planos político e económico. De seguida apresentam-se algumas passagens dessa entrevista. Não posso deixar de recomendar vivamente a leitura integral da mesma.
A tradução e a edição destes parágrafos são da minha responsabilidade. Espero que possam ser uma ajuda para podermos reconstruir adequadamente os pedaços estilhaçados da nossa pobre realidade. Aquela que está para lá do nevoeiro pestilento a que nos conduzem políticos, comentadores e selectos especialistas.
"(…)
Ambrose: Todo o sistema económico e financeiro está mais alavancado do que estava em 2008, quando as instituições como o FMI ou BIS disseram que era realmente perigoso. E nós estamos a ver os sinais dessa efervescência quando as taxas dos maus (junk) créditos baixam a níveis históricos, ou seja, os investidores estão a assumir risco sem fazerem perguntas.
Nós já vimos esta volatilidade antes, por isso aquelas instituições começam a defender que estamos, basicamente, a caminhar para uma crise de proporções gigantescas. (...) A Europa precisa de um programa QE [injecção de liquidez por parte do BCE - nt] semelhante ao americano e numa larga escala. Apesar das objecções alemãs – o BCE tem de assumir isso rapidamente. (...)
Draghi quer, desesperadamente, iniciar um programa QE. Ele deseja um euro muito mais fraco só que, sendo presidente do BCE, ele não o controla. São os alemães, em última instância que o controlam. Eventualmente, o euro irá baixar de valor, mas é necessário explicar a situação com mais detalhe. Os rácios de dívida dos países do sul da Europa estão a aumentar muito, mesmo com toda a austeridade – veja-se a Itália [ incluo aqui o caso português que, como sabemos, viu a dívida pública aumentar de 132,4% do PIB para 134% no final do primeiro semestre deste ano - nt]. Isto é um círculo vicioso.
Por outras palavras, esse rácio está a subir, em larga medida, por causa das políticas de austeridade. É uma mistura explosiva: inflação nula e recessão.
David: A razão pela qual não se fala em reestruturação ou reescalonamento da dívida nesses casos é que os países perderam autonomia quando passaram a fazer parte da União Monetária?
Ambrose: De facto, os países perderam o controlo e a soberania. Já não têm banco central, não têm uma moeda e não controlam a política macroeconómica. A dificuldade está agora no facto de que, não tendo soberania monetária, os países podem mesmo falir, pois não podem imprimir moeda para evitar essa falência. (...) É apenas quando se entra para a União Monetária que os assuntos da falência, da reestruturação da dívida passam a fazer parte da discussão com os parceiros dessa União. É aí que a Itália se encontra agora.
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