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sábado, 16 de maio de 2015

Abordagem complexa versus abordagem "Mick Jagger"

"You can´t always get what You want"

O teatro grego continua. E, por muito que me esforce, não consigo evitar lembrar-me das múltiplas declarações de Jean-Claude Juncker nos últimos anos. Muito se diz e escreve acerca do momento-quase-perfeito de resolução dos problemas em torno da Grécia nos meios de comunicação convencionais. É o problema da Europa, não esqueçamos.

Seguindo a multiplicação de referências dos responsáveis europeus acerca "do governo grego"e "do seu comportamento inadmissível", é impossível não ficar inquieto. Inquietude que resulta do esforço de tentar compreender, em toda a sua extensão, as subtilezas e os riscos da nossa situação comum e detectar o mais vil entorse perceptivo.

A tentativa de demarcar-nos (a Portugal, mas também à Espanha como casos de sucesso, entre outros) destes riscos tem de compreender-se como a distracção induzida ao animal que, assim, corre mais alegre e lesto para o matadouro. Isso tem, claro, vantagens imediatas - o preço da nossa dívida é renegociado, as exigências dos credores são aliviadas como incentivo aos ímpetos reformadores -, e por aí fora. Mas a condição geral permanece. Inexorável.

Alguém com um pouco de bom senso pode ficar aliviado quando, após anos de liquidez forçada nos mercados (EUA, Japão, Zona Euro e agora China), não se vislumbram sinais sólidos de dinamismo económico?
O cenário onde as yields das obrigações soberanas (das nações que contam, claro está!) descem e os preços dos índices bolsistas ultrapassam máximos históricos de modo recorrente é promissor? Mas para quem?

Na imagem, que peça está ali em quarto lugar?



Tentando enquadrar os problemas europeus numa escala maior, propomos o visionamento de uma palestra de James Rickards. O autor procurou contrastar os modelos de interpretação dos fenómenos económicos, vigentes nas grandes instituições internacionais, com os modelos complexos que ele desenvolve para o mesmo fim.
Nela chamamos a atenção para o período de perguntas e respostas que é, apesar de tudo, mais rico de detalhes e significado (a partir dos 30 minutos aproximadamente).

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Mentir, mentir sempre

JS, um comentador habitual no Espectador Interessado, convida-nos aqui a analisar este artigo onde se expõe, de forma irrefutável, (mais) uma mentira de um banqueiro central. No caso, Mario Draghi. Bem, mas que tem isso de extraordinário? Façamos, por exemplo, o exercício de ouvir, vendo, um outro mago - um outro Maestro - pertencente àquela iluminada elite, exclusiva dos Grandes, infinitamente imbuída de um altruísmo incomparável:


De resto, não foi Jean-Claude Juncker, enquanto presidente do Eurogrupo, e que é hoje um outro candidato a candidato à presidência da Comissão Europeia, quem afirmou que "quando as coisas se tornam sérias, uma pessoa tem de mentir"? "Mentir, mentir sempre" é o mote dos maestros do planeamento central. Em particular, do monetário, sempre tão querido aos estatistas de todos os matizes e, muito em especial, aos que ribombam contra a crescente desigualdade da distribuição de rendimentos sem se aperceber que é aí mesmo que reside a causa daquilo que repudiam. O que tem tudo a ver com isto.

terça-feira, 11 de março de 2014

O que importa é a peça

Comunicação e mercado – guião e coreografia

O texto que a seguir se traduz é um exercício para identificar a natureza do guião da verdade oficializada. É uma tentativa de elencar os movimentos daquilo que, parecendo desconexo ou contraditório, acontece no palco daquela verdade alinhavada.

Parte de um texto maior, que desde já convidamos os leitores a considerar, é um convite a considerar aquilo que não é manifesto nos actos e nas palavras daqueles que levam a cabo a encenação de um guião que acabará por determinar o conteúdo da própria opinião pública acerca do que acontece. Esse guião oficial transporta, no desenrolar da sua encenação, as ferramentas da sua descodificação, semelhante a um ready-made. O guião contém os parâmetros da sua compreensão partilhada.

Os agentes dessa peça comunitária são políticos, empresários do regime, economistas, jornalistas ou governadores de bancos centrais. Acrescentaria também comentadores, de ofícios vários, mas que ocupam um lugar nos canais de comunicação convencionais.

Antes de avançarmos, tenhamos presentes alguns actos que vão enriquecendo a trama. Comecemos por considerar a seguinte peça jornalística. Dela destaco apenas uma passagem, que traduzo: "Fratzscher disse que o BCE deveria comprar dívida de todos os países da zona euro - incluindo da Alemanha - numa base proporcional para retirar toda a Zona Euro do baixio onde se encontra." Já aqui se fez referência à decisão do tribunal alemão em descartar responsabilidades na condenação ao BCE e às suas acções para salvar o euro.

Na semana passada, Draghi aludiu a uma ilha de estabilidade quando se referiu ao euro e este encontra-se em máximos de três anos face ao dólar. O que numa economia que está "nos baixios" não permite antecipar nada de bom.

Barroso (re)afirmou recentemente que a crise estava para trás. Registam-se descidas importantes nos juros da dívida portuguesa (e não só). Vemos tudo isto, mas sabemos porque sucedem estas cenas? Por exemplo, sabemos como podem os países em grandes dificuldades financeiras (e respectivas junk bonds), numa economia que está "nos baixios", ter os seus juros a baixar?

O que nos diz o guião acerca disso?
Há uma tendência a tratar a comunicação económica – seja de um famoso director geral, de um conhecido investidor, economista ou governador de um banco central – como sendo depurada da natureza teatral, sem alcance cénico ou atenção coreográfica para além da sua expressão política imediata. Mas isto é um erro.