Não conhecia Paul Rosenberg. Mas, tendo-me deparado, via Mises Hispano, com este artigo (e mais uma mão-cheia de outros) já o incluí nas minhas deambulações virtuais. Revi-me em muitas das suas observações e subscrevo, sem pestanejar, boa parte delas. Também não me custa reconhecer que o meu minarquismo sofreu mais um sério embate. Em qualquer caso, parece-me constituir uma interessante proposta de reflexão, em tempos como os que correm em que a descrença democrática é crescente, como o Samuel Paiva Pires recente e desassombradamente "confessava".
"Quando era jovem, senti uma necessidade de compreender a política, pelo que investi algum tempo no seu estudo. Mas à medida que esse tempo passava, ia obtendo rendimentos decrescentes desse investimento. E, nos últimos anos, desisti completamente.
Nos dias de hoje, a minha preocupação com a política limita-se a coisas como estas:
Para além disto, não estou realmente interessado. Vejo as manchetes, mas raramente leio os artigos. E sinto-me muito feliz ao dizer que "não me interessei especialmente por isso" quando as pessoas me perguntam a minha opinião sobre as "novidades" do dia.
- Quem está fazendo a guerra, e onde?
- Em que zona na minha área [de residência, da escola dos meus filhos, do meu trabalho] estão ocorrendo crimes?
- Existem leis que me obriguem a deslocar os meus negócios para outras paragens?
Eis porquê:
Razão nº 5: Consome uma quantidade horrível de tempo e energia
A sério: comece a contar o número de horas que gasta nisto. Quantas horas despende a ouvir temas políticos na rádio, a assistir a programas políticos na TV e a ler artigos políticos nos jornais?
Em seguida, comece a pensar na intensa energia que gasta com isto. Todos nós temos reservas limitadas de energia; acreditará realmente o leitor que a política é a mais nobre e a de melhor utilização para a sua? Que tal usar a sua energia para construir o seu negócio? Ou para alimentar os seus filhos? Ou para ajudar um vizinho? Deve haver uma dúzia de coisas que sejam mais importantes do que ficar obcecado com os votos dos congressistas ou dos juízes do Supremo Tribunal.
Razão nº 4: É um vício
Se a mera imaginação de se desligar da política o faz sentir-se mal, provavelmente deve mesmo fazê-lo.
Experimente: imagine a sua vida, esvaziada de toda a política. Como é que isso o faz sentir-se? Vazio? Abandonado?
A verdade é que milhões de nós somos viciados em política. As pessoas não conseguem afastar-se para longe dela - é o guião que os seus subconscientes levam a cabo, 24 horas por dia, sete dias por semana.
O vício político é tão mau que até mesmo as pessoas firmemente religiosas gastam mais tempo com a política do que com Deus. A política é a obsessão da nossa era.