Num padrão-ouro, o ouro é o meio pelo qual todas as outras coisas são comparadas e medidas
Publica-se aqui a quarta parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A terceira parte pode ser lida aqui.
Publica-se aqui a quarta parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A terceira parte pode ser lida aqui.
"Em defesa do padrão-ouro livre” – Ken Griffith, "The Gold Standard Institute Journal #45", Setembro de 2014
Um meio padronizado para o ouro digital
Por muito agradável que seja pensar no ouro como dinheiro, a maioria das pessoas não se apercebe de que nem todo o ouro é igual entre si. Uma grama de ouro numa barra de 1 kg pode ser 40% mais barata do que uma grama de ouro numa folha ou filigrana que pese apenas 1grama. As quantidades mais pequenas vão exigir um prémio mais elevado, dado o seu mais elevado custo de produção.
Através da história, as moedas de ouro de vários países foram servindo como meio monetário num padrão-ouro internacional de natureza informal. Normalmente, os contratos eram pagos em moedas de ouro de tamanho e denominação mais pequenos. De uma forma rápida, podemos assinalar a presença deste padrão-ouro informal desde o Império Persa no século VI antes da nossa era e foi interrompido em vários períodos em que a moeda de prata se impôs como meio primário de troca.
Tomando a perspectiva histórica que inclua as moedas persas, romanas, espanholas ou inglesas, é notória a evolução para a diminuição do seu tamanho e o aumento da sua pureza (toque) ao longo dos tempos. Durante os séculos em que as moedas de ouro circulavam no comércio internacional, as notas de crédito eram pagas em moedas de ouro da época, e não em forma de barras ou em joalharia. O meio, por excelência, era a moeda de ouro. Ainda que se pudessem liquidar contratos e dívidas em barras de ouro, isso acarretava um custo adicional.
Na altura, como agora, as moedas de ouro são transaccionadas com um prémio superior às barras, ao ouro em bruto e à joalharia por causa da precisão do seu padrão, o que as torna fiáveis e seguras. Foi esse o segredo da utilização das moedas de ouro ao longo dos tempos.
O padrão-ouro foi escolhido pelo mercado
Com a excepção das medidas legislativas britânicas em 1925, o meio privilegiado para efectuar as transacções não era imposto pelos estados, mesmo quando estes eram responsáveis pela cunhagem das moedas utilizadas. A melhor e mais líquida moeda de ouro de um país acabava por circular como meio de pagamento no comércio internacional apenas porque era a escolhida pelas forças do mercado e não por força de um decreto. No comércio internacional, a boa moeda afasta a má moeda.
No período colonial americano havia um padrão-ouro livre, no qual ourives privados cunhavam moedas com o mesmo peso que o Dobrão Espanhol. O prémio dessas moedas tornava rentável aos ourives a compra de joalharia ou restos de metal precioso de outras fontes, proceder à sua purificação e cunhagem de acordo com o padrão-ouro efectivo.
Dobrão espanhol
Com a consolidação dos estatutos do Banco de Inglaterra no século XIX, assistiu-se a uma pressão para substituir as moedas de ouro por notas emitidas pelos bancos. Estas notas ainda podiam ser trocadas por ouro, mas desde o fim da Iª Grande Guerra que o Banco de Inglaterra limitou a troca de notas por barras de 400 onças troy (12,440 kg).

