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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Master Class - Keith Weiner

"Poder de Compra do Rendimento"

Partilhamos com os nossos leitores uma palestra de Keith Weiner organizada pelo American Institute for Economic Research - AIER. O orador é um proeminente teórico da visão de Antal Fekete e tem dinamizado a produção de conhecimento económico e financeiro no Gold Standard Institute e em Monetary Metals.
Neste último, Weiner conseguiu recentemente financiamento para o lançamento de um novo produto de investimento em Ouro - onde o rendimento é pago em ouro, precisamente.
Nesta palestra, Weiner procura mostrar as profundas contradições conceptuais do actual sistema monetário e financeiro global do ponto de vista da Nova Escola Austríaca, que resultam das perspectivas de Keynes e Friedman.

Alguns dos pontos abordados são:
- as actuais visões teóricas (e práticas) acerca do sistema estão erradas quanto ao foco da sua análise (especialmente a errada concepção das taxas de juro e natureza do crédito);
- a destruição de capital (e a desvalorização monetária) no último século;
- uma nova visão da produção da riqueza - a produção e o investimento, não o consumo;
- apresentação surpreendentemente simples de um novo indicador: poder de compra do rendimento.

A interpretação aqui apresentada da actual situação é sintetizada por Weiner numa imagem muito clara: estamos a gravitar para um buraco negro. Não há como pensar de outro modo. Assistimos a uma destruição sem precedentes de capital. O orador avisa: mesmo os que ainda julgam beneficiar da situação estão adormecidos, pois também estão a fazer desaparecer riqueza.

Boas reflexões.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Em defesa de um padrão monetário livre - parte V

Plataformas de transacção e rede de Agentes




Publica-se aqui a quinta parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A quarta parte pode ser lida aqui.

"Em defesa do padrão-ouro livre” – Ken Griffith, "The Gold Standard Institute Journal #46", Outubro de 2014


A necessidade de uma plataforma electrónica de transacção

Este artigo é a quinta parte de um roteiro de implementação de um padrão-ouro livre internacional através da iniciativa privada e do mercado livre.
Enquanto que o actual mercado do ouro tem as suas próprias plataformas de negociação, um padrão-ouro exige plataformas abertas de transacção e troca de dinheiro digital para permitir a liquidação de dívidas ou contratos dos emissores de ouro digital entre si, bem como destes com os seus clientes. E estes têm de poder trocar papel-moeda por ouro digital.

Facturas reais (1)
Tendo sido articulada por Adam Smith, Antal Fekete e Keith Weiner, a doutrina das Real Bills integra-se como necessária num padrão-ouro para conferir crédito comercial e liquidação de transacções pendentes.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Em defesa de um padrão monetário livre - parte IV

Num padrão-ouro, o ouro é o meio pelo qual todas as outras coisas são comparadas e medidas




Publica-se aqui a quarta parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A terceira parte pode ser lida aqui.

"Em defesa do padrão-ouro livre” – Ken Griffith, "The Gold Standard Institute Journal #45", Setembro de 2014


Um meio padronizado para o ouro digital

Por muito agradável que seja pensar no ouro como dinheiro, a maioria das pessoas não se apercebe de que nem todo o ouro é igual entre si. Uma grama de ouro numa barra de 1 kg pode ser 40% mais barata do que uma grama de ouro numa folha ou filigrana que pese apenas 1grama. As quantidades mais pequenas vão exigir um prémio mais elevado, dado o seu mais elevado custo de produção.
Através da história, as moedas de ouro de vários países foram servindo como meio monetário num padrão-ouro internacional de natureza informal. Normalmente, os contratos eram pagos em moedas de ouro de tamanho e denominação mais pequenos. De uma forma rápida, podemos assinalar a presença deste padrão-ouro informal desde o Império Persa no século VI antes da nossa era e foi interrompido em vários períodos em que a moeda de prata se impôs como meio primário de troca.
Tomando a perspectiva histórica que inclua as moedas persas, romanas, espanholas ou inglesas, é notória a evolução para a diminuição do seu tamanho e o aumento da sua pureza (toque) ao longo dos tempos. Durante os séculos em que as moedas de ouro circulavam no comércio internacional, as notas de crédito eram pagas em moedas de ouro da época, e não em forma de barras ou em joalharia. O meio, por excelência, era a moeda de ouro. Ainda que se pudessem liquidar contratos e dívidas em barras de ouro, isso acarretava um custo adicional.
Na altura, como agora, as moedas de ouro são transaccionadas com um prémio superior às barras, ao ouro em bruto e à joalharia por causa da precisão do seu padrão, o que as torna fiáveis e seguras. Foi esse o segredo da utilização das moedas de ouro ao longo dos tempos.

O padrão-ouro foi escolhido pelo mercado
Com a excepção das medidas legislativas britânicas em 1925, o meio privilegiado para efectuar as transacções não era imposto pelos estados, mesmo quando estes eram responsáveis pela cunhagem das moedas utilizadas. A melhor e mais líquida moeda de ouro de um país acabava por circular como meio de pagamento no comércio internacional apenas porque era a escolhida pelas forças do mercado e não por força de um decreto. No comércio internacional, a boa moeda afasta a má moeda.
Dobrão espanhol
No período colonial americano havia um padrão-ouro livre, no qual ourives privados cunhavam moedas com o mesmo peso que o Dobrão Espanhol. O prémio dessas moedas tornava rentável aos ourives a compra de joalharia ou restos de metal precioso de outras fontes, proceder à sua purificação e cunhagem de acordo com o padrão-ouro efectivo.
Com a consolidação dos estatutos do Banco de Inglaterra no século XIX, assistiu-se a uma pressão para substituir as moedas de ouro por notas emitidas pelos bancos. Estas notas ainda podiam ser trocadas por ouro, mas desde o fim da Iª Grande Guerra que o Banco de Inglaterra limitou a troca de notas por barras de 400 onças troy (12,440 kg).

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Em defesa de um padrão monetário livre - parte III

Sistemas de pagamento e contabilidade para o Padrão-Ouro Livre




Publica-se aqui a terceira parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A primeira parte pode ser lida aqui e a segunda aqui.

"Em defesa do padrão-ouro livre” – Ken Griffith, "The Gold Standard Institute Journal #44", Agosto de 2014


Neste artigo continuarei a apresentar o roteiro para a criação do padrão-ouro livre através da iniciativa privada e pelo mercado livre e vou concentrar-me nas exigências para um sistema de pagamentos e contabilidade seguros.

Elementos do sistema digital de pagamentos e contabilidade
Como mencionei na primeira parte, o ouro digital como moeda não é uma novidade. James Turk patenteou a ideia em 1993 e a empresa e-Gold lançou em 1996 o primeiro sítio de ouro digital na internet. Entretanto, a indústria arrancou e atingiu 80 toneladas por ano de transacções desde 2001, até que as autoridades norte-americanas fecharam o negócio entre 2005 e 2009. Desta experiência aprendi algumas lições que agora partilho aqui.

1 – Precisamos de um sistema descentralizado que suporte múltiplos agentes
As empresas – e-Gold e GoldMoney – publicitaram-se a si mesmas como sistemas unificados com a sua unidade de ouro exclusiva. Julgo que estas empresas não terão pensado bem na possibilidade dos seus clientes quererem transferir ouro entre as duas empresas. Surgiam, na altura, uma rede de agentes que providenciavam esse serviço, mas era oneroso e pouco profissional.
A próxima geração do sistema de dinheiro digital tem de ser desenhado, desde a raiz, com o propósito de suportar múltiplos emissores numa mesma plataforma.

2 – Precisamos de um protocolo de transacções comum (API)
A maneira de ter múltiplos emissores de ouro digital a operar sem problemas na mesma plataforma é desenvolvermos uma linguagem de transacções digitais comum. Para que os computadores de todos os agentes possam falar entre si e para que, cada um dos intervenientes, possa desenvolver aplicações informáticas a partir do nosso sistema.
Um interface de programação automatizado (Automated Programming Interface – no inglês - NT) permitirá as aplicações informáticas de emissões de contratos futuros serem construídas por terceiros, potenciando a comercialização de promissórias. Os seguidores de Adam Smith e de Antal Fekete julgam que esta comercialização é vital para o padrão-ouro poder funcionar. Isto parece significar que precisamos de uma base de código aberta (open source code base).
Existem três ou quatro aplicações/sistemas informáticos disponíveis que podem servir este desígnio.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Em defesa de um padrão monetário livre - parte II

Um modelo regulatório para um padrão-ouro livre



Publica-se aqui a segunda parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A primeira parte pode ser lida aqui.

"Em defesa do padrão-ouro livre” – Ken Griffith, "The Gold Standard Institute Journal #43", Julho de 2014

A principal fragilidade que conduziu ao desaparecimento da primeira geração monetária do ouro digital foi a ausência de um modelo regulatório.
As primeiras empresas de ouro digital iniciaram a actividade como empresas regulares sem obterem as licenças necessárias para a prestação de serviços financeiros. Depois de terem crescido o suficiente para chamar a atenção das autoridades, foram impedidas de obter as respectivas licenças a maior parte delas enfrentou disputas legais e fechou.
Nos anos 90, os estados não tinham categorias regulatórias para sistemas digitais de pagamentos com reservas totais, por isso as empresas que fizeram os pedidos de licenciamento viram os seus pedidos negados.

O problema regulatório

De acordo com a visão apresentada na Parte I para o padrão-ouro livre, precisamos de um sistema de transacções de ouro digital, bem como plataformas eficientes de transacção do nosso ouro face às diferentes moedas envolvidas. A definição destas exigências, e os respectivos papéis, constitui-se como o trabalho de definição das instituições financeiras reguladas.
Em vez de pedir aos governos que criem novas regulamentações e enquadramentos legais para os sistemas de ouro digital, consideremos primeiro o contexto existente das instituições reguladas. A maioria dos países tem uma pirâmide de intituições financeiras com um banco central no topo, que se pode apresentar do seguinte modo:

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Em defesa de um padrão monetário livre

O dinheiro num mercado livre



Inicia-se hoje a publicação de um conjunto que artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute. Os diferentes artigos que iremos publicar são dedicados à análise das potencialidades, das dificuldades e soluções para a construção de um novo padrão monetário. A novidade central nesta reflexão, ancorada na experiência e no passado recentes, é a ideia de que esse padrão pode ser implementado pela iniciativa livre dos cidadãos, sem necessidade da sua imposição por parte do estado. Importa sublinhar, especialmente nesta primeira parte, que esta reflexão assenta num conhecimento das necessidades monetárias do mercado, bem como na análise de tentativas recentes para a implementação de um padrão monetário livre.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.


"Em defesa do padrão-ouro livre” – Ken Griffith, "The Gold Standard Institute Journal #42", Junho de 2014

Nasci em 1971, três meses depois de Richard Nixon ter emitido uma lei que obrigava ao abandono da ligação entre o dólar e o ouro. Durante toda a minha vida, ouvi defensores do ouro e economistas austríacos lamentarem-se do desaparecimento do padrão-ouro, bem como o clamor de um regresso a ele. O propósito deste artigo é indagar se um novo padrão-ouro pode ser constituído através da iniciativa e acção privadas. A esta meta darei o nome de “padrão-ouro livre”.

Após anos de estudo e reflexão acerca destas matérias, cheguei à conclusão de que o padrão-ouro imposto por um estado e gerido por um banco central não resolveria o problema que enfrentamos relativamente à moeda que usamos. Políticos e dinheiro honesto são como azeite e água – não se misturam. Os políticos e os governadores dos bancos centrais são exímios na desvalorização da moeda, caso os deixemos controlá-la. Não há nenhuma nação que, tendo monopolizado a produção de moeda, esteja a salvo dessa tentação.
Julgo que o único modo de o mundo voltar a ter um verdadeiro padrão-ouro será se ele for alcançado através do livre mercado, sem intervenção estatal.

A primeira tentativa – a era do ouro digital

O leitor talvez não saiba, mas existiu um breve período (1996 até 2008) em que existiu um sistema monetário fundado no ouro. Liderado pela empresa e-gold.com, a “economia do ouro” através da internet cresceu ao ponto de representar 80 toneladas de ouro/ano de transacções entre utilizadores. No seu ponto alto, existiam sete entidades digitais emissoras e uma rede internacional de agentes e dois milhões de titulares de contas. O ouro digital era a forma mais rápida e barata de mover dinheiro à volta do mundo. O ouro mudava de mãos – como meio de pagamento – numa razão de 78 transacções por utilizador/ano.