quinta-feira, 30 de junho de 2016

Quem está a ser ingénuo?

Assisto, com um cansaço cada vez maior, ao espectáculo montado em torno do resultado do referendo no Reino Unido. Desde as manifestações em Londres, aos discursos e comportamentos contraditórios e inaceitáveis de vários (ir)responsáveis políticos europeus, passando pelos "especialistas" e comentadores do consenso nacional.
Todo o ruído serve para quê? Concorrer ou substituir o intoxicante nacionalismo de chuteiras que ameaça terminar rapidamente?

Retirado daqui.

Receio que um bom princípio de análise sejam as linhas que se seguem à primeira, nesta imagem.
Não aceitemos as "vistas curtas" que nos teimam em impor.
Para enquadrar a questão britânica em todas as suas dimensões, incluindo os desafios que a Europa enfrenta, leia-se Evans-Pritchard. E tome-se o pulso aos desafios, mais do que às campanhas de medo e intimidação.

"Who´s being naive, Kay?"

terça-feira, 28 de junho de 2016

Variável de controlo

Selecciono e traduzo uma parte de uma excelente reflexão levada a cabo por Ben Hunt. Não posso recomendar mais a leitura integral, não só deste texto, mas de toda a obra reflexiva de Hunt. O conjunto das "Notas" já publicadas constituem material mais que suficiente, na quantidade e na qualidade, para um grande livro de análise do nosso presente global. A riqueza das suas abordagens ao mundo da economia e do investimento financeiro é enorme. Para não falar da elegância e do humor com que integra Filosofia, Psicologia, Literatura, Cinema e História no contexto das suas análises económicas e financeiras. Imperdível.

Os negritos e pontuais edições são da minha responsabilidade.
Os principais instrumentos de política monetária em 2016 – as palavras usadas para construir o “Conhecimento Comum” [em que consiste a Narrativa partilhada] e moldar o nosso comportamento, as palavras escolhidas para produzir certos efeitos mais do que para expressar a verdade, as palavras relativas à “orientação futura” e à “política de comunicação” dos [bancos centrais] – são placebos.

Como uma falsa terapia para as enxaquecas, os placebos da política monetária são muito eficazes porque eles agem sobre os fenómenos fisiológicos da dor que são regulados pelo cérebro. Os placebos são inúteis nos fenómenos que o cérebro não regula, como a instabilidade de um ligamento depois de uma entorse ou o caos celular que resulta de um cancro.

Nos mercados que se regem por princípios fundamentais, há um equilíbrio saudável entre a minimização da dor e a maximização das recompensas. E nos mercados conduzidos pelas políticas [como é, actualmente, o nosso]?
Os três melhores princípios de investimento, nestes casos, são: evitar a dor, evitar a dor e evitar a dor.
Estamos - todos - apenas a tentar sobreviver, não no sentido literal, mas num sentido emocional regulado cerebralmente. E isso deixa-nos totalmente vulneráveis ao poder suavizante dos placebos.

Ben Hunt,"O efeito placebo", 20 de Abril de 2016.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Radar

Apresentações que iluminam. Sou subscritor desde o início e o projecto não tem paralelo nos meios de comunicação que conheço ou conheci. Aliás, é um ginásio para pensar. Isso, como facilmente se percebe, faz toda a diferença.
Ficam aqui duas ligações para programas de acesso livre, recentes e de pertinência inquestionável:
- Ciclos económicos e investimento - Raoul Pal;
- Brexit - Pippa Malmgren.

Vistas Curtas

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Vacas voadoras e deleitosas prisões

Humildade e bom senso

No meio da tempestade de activismos políticos, monetários e financeiros, são cada vez mais refrescantes as escassas hipóteses de pensar a realidade com consciência dos limites humanos, com conhecimento histórico e técnico. O bom senso parece ter desaparecido definitivamente da paisagem e do discurso - social e político. Partilhamos, por isso, uma palestra muito informal de James Grant. A frontalidade e a humildade de Grant parecem de outro tempo.

São tempos de vacas voadoras, de uma presidência sufocante, do excepcionalismo na consideração dos problemas (veja-se CGD), de piadas de mau gosto (as empresas gozarem de uma conta-corrente com o estado é considerado um avanço civilizacional e fruto de uma mente brilhante socialista). São tempos em que acumulamos ataques à liberdade de propriedade e pensamento (quando o estado exige que um hotel não discrimine os clientes que quer servir).
Há quem acredite na bondade desta tolerância forçada? Neste paternalismo sem vergonha?

Nas esferas mais elevadas do poder (na Europa e nos EUA), as discussões para concertar activismos devem estar ao rubro, pois nada está a funcionar como há muito pretendem os curadores. São vários os títulos de dívida a taxas de juro negativas (8 a 10 triliões, consoante as fontes) e as dúvidas crescem quanto à saúde da economia mundial, mas os curadores ainda exercem o seu papel inchados de credibilidade auto-atribuída.

Que contexto para a conversa com Grant!

Resta-nos o humor e o bom senso.
Rindo e pensando.