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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Quem vê de fora

O que será que vê?
Por cá ouve-se dizer que há “sinais encorajadores”, que existe a possibilidade “de uma saída limpa” do programa de ajustamento, mas não se chega à contemplação e discussão dos fundamentos dessa crença. Simultaneamente emergem indicações provocadoras de que há mais ajustamento para fazer. Não é arriscado alargar esta descrição ao espaço europeu. Em Itália, em Espanha ou França estas mensagens mistas devem fazer parte do tecido comunicacional. Elas permitem vislumbrar uma espécie de infecção que alastra inexoravelmente. Uma trama que se adensa constantemente. Como veremos nos trechos seguintes, as relações endogâmicas entre partes da economia (banca) e o estado são cada vez mais intensas, sendo que um lado da mesa “está a acumular todas as fichas”. Ainda se proclama o modelo de estado social, sublinhando a sua vocação redistributiva, como paradigma moral, mas o que esse modelo mostra é, cada vez mais (não poderia ser de outra forma), uma preferência que choca, seguramente, os seus mais intensos defensores. Consideremos, em primeiro lugar:
“Os reais factores de melhoria” por Pater Tenebrarum

“Registou-se um importante aumento na compra de dívida soberana por parte dos bancos ao nível dos diferentes estados europeus. O truque parece funcionar como a seguir se elenca (considere-se o caso da Itália):
a) Os bancos compram propriedades que pertencem ao estado (instalações militares obsoletas, edifícios de escritórios, entre outras), pagando com títulos (bonds) do próprio estado.

sexta-feira, 7 de março de 2014

FMI, Rússia e SDR´s

Já assinalámos (aqui e aqui) que, pelo menos desde 2009 se têm levado a cabo iniciativas de reformulação profunda do sistema monetário e financeiro mundial. Seja por iniciativa dos BRICS no seu conjunto ou algum dos seus agentes isoladamente (a China e a Rússia, claramente). Até alguns dos países emergentes, agora que sofrem com os "apertos da mangueira" monetária americana, buscam avidamente um novo enquadramento para as suas necessidades de financiamento ou de comércio.
O que agora acontece na Ucrânia é mais uma chama num incêndio existente, não duvidemos. Basta ter presentes as ameaças russas face à hipótese de sanções por parte dos EUA ou da UE. Veja-se neste artigo da Reuters onde já vai o Novo Grande Jogo. São inegáveis os sinais e mesmo no seio da administração americana se intensificam pressões para implementar reformas relativas à composição do Fundo Monetário Internacional (aqui). A pretexto de "acidentes" como o que se desenrola na Ucrânia, muita da paisagem financeira mundial pode registar mudanças substanciais.
Perguntava-me recentemente por que razão buscam os asiáticos tanto metal. Será que uma reorganização monetária promovida pelo FMI em torno de SDR´s poderá ser a razão?