terça-feira, 8 de setembro de 2015

Uma maioria com "direitos"

Adquiridos, ao que se vê, à força

Enquanto se continuar a analisar e a discutir este tipo de acontecimentos como fazendo parte da esfera dos direitos laborais, então esta barbárie continuará. Podendo mesmo agravar-se.
Conduzir a discussão para essa esfera é negar o fundamental: esta "manifestação" não é nada mais que uma violação de direitos naturais fundamentais.
O que se lê na peça, e vê pelas imagens nela apresentadas (ligação na foto), é a simples acção de um grupo de criminosos que, pela força, querem impedir outros (uma clara minoria, claro está!) do exercício da sua liberdade. Seja de trabalhar (no caso do taxista alvo da "manifestação") ou de qualquer um de nós poder recorrer ao serviço de uma pessoa ou empresa para, livremente, satisfazer um desejo ou uma necessidade.
Julgo que aqui também se pode identificar, estruturalmente, uma clivagem entre dois mundos. E ocorre-me lembrar o movimento dos Luditas. Que dirão os colectivistas apaixonados pelo empreendedorismo?
Mas, nesta como noutras problemáticas, a maioria impõe a sua força e os seus "direitos".
Será isso um sinónimo de Democracia?

6 comentários:

Antonio Cristovao disse...

Derrubou-se o ditador, mas os corporativismos são como lapas.

JS disse...

Ou são todos Taxis, os Ubers serão ilegalizados, e todos pagam as mesmas taxas, liceças, seguros ... etc, sendo que não pode haver limites artificiais à actividade. Quem quizer exercer a actividade de taxista inscreve-se. Não precisa de esperar por uma "autorização", de licenças ...,

Ou podem ser todos Ubers, o Estado perde aquela receita, o mercado das licenças desaparece, e os consumidores beneficiam.

Mercado, concorrência, dinâmica.

skeptikos disse...

Derrubou-se um ditador mas, será que não vivemos numa outra ditadura - a das maiorias, ou minorias, das causas fracturantes e por aí... - há mais de 40 anos? Num país que se diz europeu, numa europa cada mais castradora, onde o livre mercado (excepto o dos capitais) não passa de uma miragem?! Tudo indica que "isto" vai acabar muito mal!

LV disse...

Caro JS,

Concordo. Terminar com a necessidade de licenças e taxas é terminar com o monopólio do estado na gestão das relações de trabalho. De que este tipo de "manifestações" se mostra tão necessitada.
Pelo que conheço, a plataforma Uber tem um sistema de rateio que serve para salvaguardar a qualidade e a fiabilidade do serviço. O que não quer dizer que, com mais concorrência ainda, não melhore ainda mais. Assim é que deveria acontecer, as pessoas que fazem o mercado a estabelecerem que serviço querem.

Caro skeptikos,

O mecanismo das maiorias encerram uma contradição muito grande, especialmente no contexto de democracias impregnadas do discurso dos "direitos". Como, de resto, o evidenciam as imagens.
Relativamente ao mercado de capitais, olhe que ele não é tão livre quanto julga. Pode gozar de uma maior latitude de movimentos, mas livre de regulação ele não é. Caso o fosse, não se criavam bolhas e excessos da magnitude que hoje podemos observar nos mercados. Estes excessos (medidos em ciclos de exageros crescentes) são permitidos, pois os estados e os bancos centrais fazem da moeda e do seu valor uma "arma de política". Que ambas as partes, pelos vistos, necessita para se manter.
Houvesse livre mercado e as correcções eram apenas isso. Em vez de crises que prolongam o sofrimento e a mentira.

Saudações,
LV

Jorge Silva disse...

A Uber está proíbida pelos tribunais de exercer funções em Portugal.
Quando eles começarem a pagar seguro para transporte de passageiros, tiverem os preços numa tabela oficializada pela câmara, quando tiverem um aparelho aferido anualmente para marcação de preços, quando tiverem um Álvará para transporte de passageiros, quando tiverem uma licença camarária para exercer esta profissão, quando forem obrigados a ter um extintor carregado no prazo legal, quando tiverem uma firma com escrita organizada, quando pagaram o PEC, quando Pagarem IRC, quando pagarem IVA, quando passarem facturas legais em território nacional, quando os condutores forem obrigados a ter o CAP que custa 600€ e demora 3 meses a tirar, quando os motoristas tiverem o Grupo II na carta de condução, quando os motoristas fizerem exames psicotécnicos e medicina no trabalho para exercer a profissão e quando forem o brigados a ter um horário de trabalho, QUANDO FOREM OBRIGADOS A ISTO TUDO PODEM TER A CERTEZA QUE 90% DOS UBERS PASSAM A TRABALHAR LEGALMENTE MAS ACABAM POR DESISTIR

LV disse...

Jorge Silva,

Tem razão.
Mas o seu comentário, colocando o dedo na ferida, acaba por defender a iniciativa levada a cabo pela empresa Uber.
Repare que, de facto, o que acaba por pesar negativamente no ramo do transporte de passageiros é o excessivo colete de forças regulatório. Ou seja, os custo e as exigências que apontou são em grande parte a razão pela qual empresas como a Uber ou outras entram no mercado. Para responder ao custo elevado do serviço que actualmente existe no "mercado" (note as aspas) e responder à procura por parte dos consumidores.
Quando elenca todas as exigências a que uma empresa de táxis está obrigada, não consigo detectar a correspondente diferença no serviço que usufruo ao circular num táxi. Ou seja, mesmo circulando raramente de táxi, o serviço e a minha experiência não mudou face a um período, digamos, de há dez ou quinze anos.
Para que servem, então, estes entraves regulatórios?

Em conclusão, diria o seguinte: estes custos que resultam da regulação (que indicou com detalhe) são o prémio que pagam as empresas que actualmente actuam no sector para dificultar o acesso de novas empresas, limitando a concorrência. O mesmo mal pode verificar-se, entre tantos outros sectores, no licenciamento de farmácias, restaurantes, escolas, etc, etc...
O que, todavia, custa a entender (neste caso aos taxistas encartados, digamos assim) é que isso é um obstáculo às empresas mais pequenas (com menos recursos para fazer face ao asfixiamento regulatório). E quem ganha são aquelas de maior dimensão ou que conseguiram aliciar mais associados. Os grandes em detrimento dos mais pequenos, digamos assim.
E é isso que está patente, justamente, neste artigo. As maiorias (os grandes) impõem a sua vontade e os seus "direitos" à custa dos direitos e da liberdade das minorias (os pequenos).

Saudações,
LV