Alguns artigos acerca da temática em língua portuguesa. O primeiro, mais analítico, de Ricardo Arroja. O segundo, menos consistente, porque parece ignorar o mais importante destas tecnologias: permitem mudanças maiores em sectores monopolizados ou cartelizados. E se possuem riscos (ou estão associadas a manias), aquelas vantagens não são de somenos.
Os curadores estão a assumir uma posição acerca das novas tecnologias financeiras.
Se é uma atenção genuína, isto é, se visa analisar a sua natureza e as suas potencialidades para evitar os erros cometidos no passado e no presente... tenho dúvidas. Muitas.
E repare-se a legenda escolhida para a imagem. Esta atenção à China, pela perspectiva das potencialidades disruptivas é também curiosa. E muito.
O título é delicioso no processo de transferência que faz da atenção aos perigos apenas para o que é novo. Como se as tecnologias e estratégias financeiras dos últimos cem anos não tivessem riscos. E a tomar as palavras de Yellen na semana passada, esta gente julga que não há riscos nenhuns nas "jogadas das mentes brilhantes" dos últimos cem anos.
Publicamos aqui o primeiro de seis pequenos episódios que ilustram o estado da coisa quanto às criptomoedas e às respectivas tecnologias financeiras, bem como os princípios e valores iniciais do projecto Bitcoin, a sua diversificação geográfica e os propósitos divergentes que este sector tecnológico incorpora presentemente.
Importa ter presente que alguns dos colossos bancários e financeiros globais estão atentos. Mais, estão a investir cada vez mais nos gabinetes de desenvolvimento das tecnologias de "organização autónoma descentralizada" (DAO em inglês), na esperança de estar na frente e liderar a(s) mudança(s) que o sector bancário e financeiro enfrenta.
São muitos os desafios que estas tecnologias enfrentam, mas são muitas mais as opções que oferecem. Tendo isto por adquirido, compreende-se o alcance de uma ideia como esta: transferência de valor de forma segura, descentralizada e concorrencial. Por isso, o apelo à independência face ao estado (qualquer estado ou poder centralizado numa grande corporação, por exemplo) parece vencido pelas circunstâncias. Vejam-se as arrogantes declarações de Larry Summers, ou o esforço das instituições bancárias em acelerar a corrida ao "novo armamento" adquirindo muitas pequenas empresas de tecnologia que já estavam a conduzir o desenvolvimento dos seus projectos nas ditas tecnologias DAO.
Há muito a dizer e a analisar nestes episódios, mas é, para mim pelo menos, inegável a sensação de estar perante um novo mundo que se abre à nossa frente.
E com a proximidade da Web Summit em Lisboa, este documentário vem mesmo a calhar.
Parabéns à equipa da TechCrunch.
Boas reflexões.
Nota: os episódios aparecem como sendo sete mas, descontando o "piloto", o documentário distribui-se em seis episódios de aproximadamente sete minutos.
Independentemente dos optimismos fáceis (e do desejo de revoluções), começam a vislumbrar-se mudanças interessantes, especialmente no domínio financeiro. Pergunto-me que consequências essas mudanças terão no domínio monetário?
Inicia-se o caminho para a unificação totalitária? Ou abre-se o espaço da livre escolha?