sexta-feira, 17 de julho de 2015

Young Guns of Gold

A mesa redonda deste mês conta com elenco um pouco diferente. Esta edição realizou-se com Ronald Stoeferle (Incrementum AG) e Jordan Eliseo (ABC Bullion), Bron Suchecki (da australiana Perth Mint) e Mark O´Byrne (da irlandesa GoldCore).
Os temas abordados são complementados pela apresentação gráfica de alguns dados estatísticos. O interesse e a originalidade, esses, são garantidos. Alguns desses temas são:




- a situação europeia, o cepticismo europeu e o ouro;
- a GoldCore tem registado um aumento na procura de informação através do seu site, embora esse interesse ainda não se tenha traduzido numa subida no volume de vendas;
- a Perth Mint registou um decréscimo na procura de barras de ouro de 1 quilo por parte dos investidores chineses, que não estão a aproveitar, como noutras ocasiões, a baixa no preço;
- a relação entre as taxas de juro e o preço do ouro: ao contrário da opinião comum, as maiores subidas (em termos relativos) ocorreram em períodos de subida das taxas de juro (nominais);
- as reticências manifestadas por investidores no esforço de diversificar o portfólio de investimentos na actual conjuntura; muitos deles esperam por um catalisador para a subida no preço do ouro e aguardam, nas linhas laterais, com dinheiro vivo (já que muitos dos índices bolsistas estão sobrevalorizados);
- a China é um exemplo do grave problema de crédito latente e, numa perspectiva austríaca, isso trará desfechos mais gravosos do que 2008 – possibilidade de controlo de capitais, inclusive das reservas de ouro;
- o facto generalizado das interferências nos mercados (políticas monetárias, bolsas, matérias-primas e metais preciosos);
- as tectónicas monetárias em tensão e a dificuldade de a Reserva Federal americana em poder assumir medidas pró-cíclicas - inflação e deflação;
- os investidores têm de olhar para o preço do ouro noutras moedas para além do dólar, onde o metal tem revelado estar num período em que tem cumprido um dos seus papéis - reserva de valor primordial;
- e o relatório "In Gold We Trust" da Incrementum AG.

Bom proveito e excelente fim-de-semana.


2 comentários:

Antonio Cristovao disse...

Deduzi que se deve equacionar comprar ouro usando outra moeda, e ganhar com isso?

LV disse...

Caro António Cristóvão,

O que resulta da análise, em especial dos últimos dez meses, é que o ouro está fazer aquilo que é, por natureza, o seu papel: defender os aforradores. Por exemplo nas moedas como o euro, o yen ou o rublo. Dada a desvalorização dessas moedas, o aforrador que decidiu colocar uma parte das suas poupanças em ouro está a defender-se bem.
Não obstante a descida registada na última semana, ainda se está em terreno positivo, em cada uma das moedas mencionadas, entre outras.
Se contemplar as descidas generalizadas noutros produtos como o petróleo, o cobre ou a platina, o ouro está a portar-se muito bem. O ambiente deflacionário nestes domínios é substancial. Por outro lado, os mercados bolsistas do costume estão sobrevalorizados e caros para quem quer entrar ou reforçar posições neste momento. Com a agravante de uma sombra de correcção em baixa a qualquer momento. Especialmente depois de um mau-humor grego ou alemão. Ou até depois de um "crash" no mercado chinês como o das últimas semanas (-37% em quinze dias!).
Segundo alguns autores (DNoland, Raoul Paul ou RDalio), nem o mercado das "bonds" soberanas se afigura interessante.

Continuação de bom fim-de-semana,
LV