terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A Coreia do Norte tão perto de si

Uma história "exemplar", aquela que Simon Black nos conta hoje e que procurei traduzir abaixo (minha inteira responsabilidade). Mas não exemplar no sentido de servir de modelo para atitudes e comportamentos. Esta é a exemplaridade de um quotidiano cada vez mais delimitado, regulado e opressivo. De um estatismo triunfante ainda em ascensão.
25 de Fevereiro de 2014

Por Simon Black (em viagem para a Colômbia)



Li Mi-Yung apenas queria ser livre.

Esta viúva de 55 anos da Coreia do Norte passou os últimos 18 meses a construir uma habitação, não dependente da rede de distribuição eléctrica, na sua propriedade no campo. Ela era, no essencial, completamente independente.

Recolhia e armazenava a água da chuva para assegurar água potável. Dispunha do seu próprio sistema de deposição de resíduos. Gerava a sua própria electricidade a partir do sol.

Admirável, não vos parece? Sobretudo num local onde há tão poucas pessoas independentes.

Infelizmente, após se terem dado conta das condições de vida da Sra. Li, as autoridades locais da Coreia do Norte enviaram brigadas de funcionários governamentais à residência da Sra. Li, com a intenção de a expulsar e de a levar perante um tribunal.

Algo de verdadeiramente infame. Pensar-se-ia que o governo norte-coreano estaria muito interessado em aprender com a experiência da Sra. Li com o propósito de tentar melhorar a vida de toda a gente.

Mas, enfim, que mais se pode esperar do governo da Coreia do Norte...?

Há todavia duas pequenas correcções que é necessário introduzir nesta história antes que possa prosseguir.

Li Mi-Yung é na realidade Robin Speronis [link]. E ela não vive na Coreia do Norte. Mora em Cape Coral, na Florida... na Terra dos Livres. Tudo o demais é verdade.
Sim, em vez de tentar aprender com a Sra. Speronis, num esforço para melhorar os serviços públicos da cidade, ela foi aparentemente apontada como sendo uma espécie de mestre do crime que deve ser detido a todo o custo.

Quando souberam, em Novembro último, que ela estava a viver "fora da rede", a câmara municipal afixou um aviso de despejo, invocando numerosas violações da lei. Concluíram que a sua habitação (onde ela vinha vivendo desde Janeiro) era "inadequada para habitação humana".

Mais: foi informada que, caso continuasse a viver na propriedade (ou mesmo se lá ENTRASSE) tal constituiria um delito de invasão de propriedade que a sujeitaria a prisão.

Há uns dias atrás, deu-se a audiência perante um magistrado especial. As autoridades municipais leram uma lista aparentemente interminável de violações da lei, e testemunhas especialistas desfilaram no tribunal para confirmar os perversos actos cometidos pela Sra. Speronis.

Naturalmente. Quem se "desconecta" do sistema só poderá arranjar problemas.

No final da audiência, o juiz acenou, impaciente, e considerou-a culpada de algumas violações, não culpada de outras, ordenando-a então, pelo menos parcialmente,  que se "ligasse à rede".

Gostaria de poder usar aqui uma palavra como "espantoso", "inacreditável" ou "incrível". Mas não posso. Porque isto é agora o habitual na Terra dos Livres.

Colectar água da chuva constitui agora um crime. Ser livre e independente leva a ameaças de despejo e à presença num tribunal.

Na Terra dos Livres, um indivíduo é incapaz de decidir por si mesmo de que modo pretende viver. E o governo tem todo o poder do mundo para o forçar à sua vontade, mesmo que isso signifique aterrorizar os cidadãos para que utilizem os serviços públicos.

Está rapidamente a chegar a um ponto onde quem quer que pretenda recuperar alguma liberdade pessoal vai ter de considerar seriamente a saída para o estrangeiro para lugares onde os governos deixem em paz quem quer viver a sua vida em paz.

Sim, é uma ideia radical. Mas já houve tantas grandes civilizações fundadas por mulheres e homens, livres e intrépidos, que deixaram os seus países natais em busca da liberdade e de oportunidades.

Por que não agora?

1 comentário:

Antonio Cristovao disse...

Uma perola informativa,naturalmente "não interessante" para a "grande" informação.