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domingo, 23 de agosto de 2015

Serviço Informativo

"Notícias do Ouro"

Apresentamos mais uma síntese noticiosa do mercado do ouro por parte da GoldBroker. Nesta edição destacam-se a dimensão da procura de ouro na Europa e a aquisição de ouro por parte dos grandes bancos de investimento (mesmo quando o desaconselham aos seus clientes). Informação para colocar em contexto os mais recentes dados do mercado mundial dos metais preciosos, num momento tão delicado das bolsas e das economias mundiais.

Bom início de semana.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Por que é a crise do Chipre de 2003 pior que a da Argentina em 2001 e do Kreditanstalt (1931)

Martin Sibileau, em Why Cyprus 2013 is worse than the KreditAnstalt (1931) and Argentina 2001 crises, publicado em 24-03-2013, oferece-nos uma leitura histórica comparada entre o "evento" Chipre 2013 e dois outros clássicos homólogos - o da Argentina em 2001 e um outro, mais recuado no tempo - a bancarrota do banco austríaco Kreditanstalt -, que muitos historiadores identificam como extremamente relevante para a hecatombe que se abateria sobre o mundo poucos anos depois. Como pertenço ao grupo daqueles que subscreve, em termos vigorosos, estas asserções de Maria do Carmo Tavares - particularmente, a necessidade de o economista saber História (para que possa ligar os acontecimentos) -, achei interessante partilhar mais um texto não ortodoxo sobre o "evento" Chipre 2013.  A tradução, rápida, é da minha responsabilidade.
O Chipre de 2013, como qualquer outro acontecimento, pode ser analisado em termos políticos e económicos.

Análise política: duas dimensões

Politicamente, consigo distinguir duas dimensões. A primeira dimensão pertence à história geopolítica da região, a que se juntaram as recém-descobertas reservas de gás natural. A relevância histórica vem desde 1853, o ano em que se iniciou a Guerra da Crimeia. A Guerra da Crimeia ocorreu no adjacente mar Negro, mas o propósito político era o mesmo: evitar a expansão da Rússia para o Mediterrâneo. A relevância desse episódio residiu no rompimento do equilíbrio de poder estabelecido após as Guerras Napoleónicas, fixado no Congresso de Viena, em 1815. A partir daí, toda uma nova série de acontecimentos inesperados levaria a uma França mais fraca, a uma Prússia mais forte, a novas alianças e a uma solução final 60 anos depois: a I Guerra Mundial. É neste mesmo quadro que eu vejo o Chipre de 2013 como um acontecimento político muito relevante: caso a Rússia, eventualmente, proporcione um resgate a Chipre (à hora que escrevo, tal não parece provável) contra o penhor das reservas de gás natural ou de uma base naval, um novo equilíbrio de poder terá sido alcançado na região, em que Israel será o maior perdedor.

A segunda dimensão política refere-se a um observação que fiz, há exactamente um ano atrás, precisamente inspirada no evento Kreditanstalt [link] de 1931. Num artigo intitulado: "Acerca do ouro, de acções, da repressão financeira e do Kreditanstalt de 1931", escrevi:
"(O evento Kreditanstalt) foi accionado porque a França, uma credora do sector público, introduziu uma condição política à Áustria, em troca de um resgate ao Kreditanstalt. Hoje, como em 1931, na zona euro, o sector público é, cada vez mais, o credor do sector público. Em 1931, a Inglaterra e a França eram credoras da Áustria e exigiram condições que nenhum investidor privado teria exigido.

Os investidores privados vivem e morrem pelos lucros e prejuízos que obtiverem. Os políticos vivem e morrem pelos votos que consigam alcançar. Os investidores privados preocupam-se com a sustentabilidade e estrutura de capital daquele que pede emprestado, com a exigência de garantias e com o perfil de financiamento dos seus créditos. Os políticos preocupam-se com a sustentabilidade do seu poder. É um facto e temos de aprender a viver com ele.

Em 2012, a Grécia e cada vez mais outros países periféricos da União Europeia são devedores de outros estados, do FMI e do Banco Central Europeu. Os investidores privados foram devastados e não regressarão tão cedo. Tememos que, tal como em 1931, quando o próximo resgate ocorrer, quer novamente à Grécia quer a Portugal ou a Espanha, serão exigidas condições políticas que um investidor privado, no seu pleno juízo, jamais teria exigido.

Pense-se nisto ... Que diabo tinha a união aduaneira entre a Áustria e a Alemanha, em 1931, a ver com o rácio de capitalização do Kreditanstalt??? Nada! E no entanto, milhões e milhões de pessoas no mundo inteiro foram condenadas à miséria em apenas uma questão de dias enquanto as suas poupanças se evaporavam! Senhoras e senhores, bem-vindos ao mundo das moedas fiat [fiduciárias]! Você foi avisado! Se o leitor, uns meses a partir de agora, ler nos jornais que Conselho da União Europeia irresponsavelmente vier a exigir  coisas estranhas a um país periférico necessitado de um resgate, lembre-se do Kreditanstalt. Lembre-se de 1931 ...

Por favor, compreenda que este não é um risco extremo [tail risk]. O risco extremo é precisamente o oposto [ou seja, é muito significativo]. O real risco extremo aqui [ou seja, o altamente improvável] é que, quando o próximo resgate ocorrer, os políticos pensem como investidores privados pensariam e dêem prioridade à economia e não a considerações políticas. Esse é o risco extremo! Se uma tal crise vier a ocorrer, os media irão falar de correlações crescentes e dir-lhe-ão que tudo está realmente bem neste lado do Atlântico. Mas se nos ler a nós, irá saber que tudo o que levou a tal situação era perfeitamente previsível e nada está realmente bem, também deste lado do Atlântico. Ter-se-á lembrado de 1931..."

Chegado aqui, eu acho que tudo está dito e não tenho mais nada a acrescentar. As minhas preocupações de há um ano estão-se mostrando demasiado correctas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Grandes Manobras (2)

Às Grandes Manobras, a S&P responde, de acordo com o Finantial Times:
"Standard and Poor’s has warned Germany and the five other triple A members of the eurozone that they risk having their top-notch ratings downgraded as a result of deepening economic and political turmoil in the single currency bloc. The US ratings agency is poised to announce later on Monday that it is putting Germany, France, the Netherlands, Austria, Finland, and Luxembourg on “creditwatch negative”, meaning there is a one-in-two chance of a downgrade within 90 days."