terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Estrutura e conjuntura



Fonte World Gold Council


Não nos tem sido possível acompanhar e partilhar informação acerca do seguro financeiro que todos devíamos possuir. Ficam apenas uns lembretes. A realidade é a realidade.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Duplo padrão - ou a utilidade dos avisos


O artigo do BCE apresenta uma lista dos pecados que os países têm praticado nos últimos anos. Seleccionou-se a passagem acima por causa da referência a Portugal. 
Então, vejamos: só é pecado quando são os governos nacionais ou os bancos a fazer "engenharia financeira"? Quem tem alimentado a mentira acerca da salubridade do sistema económico e financeiro europeu?

Tanta má-fé que é de ficar tonto.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Prosperidade numa linha (3)





Apesar das múltiplas iniciativas de promoção do sucesso do projecto europeu, da insistência renovada dos meios de comunicação tradicionais na "modernidade civilizacional" do mesmo projecto, bem como da voracidade dos nossos curadores em apresentar obra nova (quando serviços tão básicos mostram a sua insuficiência) a realidade é teimosa. E impõe-se.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Radar


A mão extensa e sombria do poder chinês nota-se em muitas das suas iniciativas, desde a sua política expansionista (veja-se a Belt and Road Initiative), até à espionagem industrial, económica e intelectual. Mas também na mãozinha que dá aos seus amigos.


Há sempre mais um degrau para descer. Ao inferno.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Master Class - Grant Williams

"Os mercados, como a natureza, necessitam de predadores"

O vídeo que hoje aqui partilhamos corresponde a uma acção promocional do canal Real Vision. É a apresentação de uma intervenção de um dos seus fundadores - Grant Williams - numa conferência que ocorreu no passado dia 1 de Outubro. A apresentação é dedicada à história do papel do ouro nos sistemas económicos, mas especialmente às interpretações que, do seu papel e natureza, fizeram personagens historicamente relevantes. Evidenciando, com muita clareza, as consequências dessas interpretações para os mercados e para os cidadãos.

A história de "Pedro e o lobo" serve aqui para mostrar, em sentido auto-crítico, que a repetição dos avisos representa a descredibilização de "Pedro". Mas também demonstra a seriedade dessa descredibilização quando todos são confrontados com as reais consequências dos acontecimentos.

De especial nota as citações seleccionadas de Alan Greenspan, agora com a apresentação das consequências das políticas que ele iniciou e que outros têm levado a níveis inimagináveis.
Ainda hoje me causa estupefacção a mudança por que passou Greenspan, relembrar o que decidiu como governador da FED tendo por referência as suas ideias que já eram públicas nos anos sessenta - relativamente ao papel do ouro, por exemplo - é algo de incompreensível. E, caso se contemplem as suas mais recentes intervenções (que recuperam o sentido das suas ideias originais), a estupefacção é ainda maior.

Que a imprensa (especializada ou não, valem o mesmo para o caso) nada faça para o questionar quanto a estas mudanças é bem a medida da farsa que vivemos.

Ver Aqui



Assista-se e discutam-se visões e cenários para o futuro.
Próximo?


quarta-feira, 17 de outubro de 2018

sábado, 22 de setembro de 2018

Radar


Os bancos centrais assumiram, no primeiro semestre deste ano uma postura muito activa na reorganização das suas reservas, especialmente mostrando-se compradores de ouro.

Aqui

A estratégia de diversificação deverá ser uma estratégia exclusiva dos bancos centrais?

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Populismo, o que é? De onde pode vir?

"O crescimento da economia não é sinónimo da melhoria das condições de vida"

Muito se tem tentado discutir e analisar acerca do que é o populismo e quais são as suas origens. Esta tendência agudizou-se com a eleição de Trump. Considero que a este facto se tem juntado o aumento do ruído na análise, o que também não é novidade.

A escolha do vídeo de hoje visa evidenciar uma das razões (se não a principal) para a eleição de políticos como Trump, Salvini ou Macron por esse mundo fora no momento presente. A entrevista é conduzida por Charlie Rose a James Goldsmith e inclui uma troca de argumentos com uma tecnocrata da administração de Clinton (presidente os EUA à altura).
Não nos interessam aqui as considerações pessoais (quem é fulano, o que fez e por aí fora), antes considerar a capacidade de antever certos resultados económicos, sociais ou políticos. Bem como assinalar a natureza da distorção da análise ao fenómeno do "populismo". A discussão (o ruído) que se faz, julgo, evita olhar as causas políticas e económicas que mobilizam os eleitorados. O que só pode ser intencional. A constante desvalorização de certas vozes que antecipam certos resultados (tão certeiros afinal!) só pode ser intencional.

Que bom que seria ter hoje a mesma tecnocrata a analisar as dinâmicas económicas, financeiras e sociais dos últimos vinte anos, depois desta troca de pontos de vista.
Seremos capazes de seguir a argumentação de Goldsmith, dos seus pressupostos às suas consequências? Serão assim tão difícil de reconhecer algumas (se não as mais importantes) raízes do discurso de alguns políticos (a que se chama populista) e da resposta (esperada e injusta, aliás) dos curadores de serviço? Seremos capazes de reconhecer o desenvolvimento das políticas dos últimos trinta anos, das suas consequências? Reconhecemos quem lucra com este estado de coisas?

Considerem-se também as visões do entrevistado relativamente ao projecto europeu, das suas instituições e políticas. Pese-se a qualidade, a acutilância e a profundidade das suas observações.
Quantos, como Goldsmith, poderia esperar estar tão certo tantos anos depois?




Boas reflexões.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Delícias de uma noite de Verão

"As guerras e as dívidas dos estados sempre estiveram ligados"

O pequeno vídeo que partilhamos hoje ilustra a história dos mecanismos de que os estados dispõem para fazer a guerra. No caso, o vídeo apresenta, com detalhe, as ideias, os mecanismos e as estratégias que o Reino Unido colocou em prática para empurrar (ludibriar até) os cépticos a fazer parte do esforço de guerra, através da emissão de obrigações e da sua subscrição, relativamente à primeira guerra.

Note-se o modo como o governo geriu o processo de falência do compromisso em 1932, das manobras junto da imprensa para iludir a realidade e a qualidade do "produto tóxico" que o estado estava a oferecer ao mercado e aos investidores.
Veja-se também o período em que pôde durar tal mascarada - o empréstimo foi pago em 2015.
Atente-se no papel intenso da propaganda (até nos restaurantes de fazia campanha para a conversão das condições do empréstimo) e - atenção - o apelo ao patriotismo. Alguém nota semelhanças?

Estas mentes brilhantes - são tantas e por tanto tempo - não hesitam em socorrer-se da manipulação e da mentira para fazer as pessoas e os mercados a participar destas trapaças.
Por que razão tal estratégias serão necessárias?




Importa pensar que mecanismos se foram desenvolvendo para fazer face aos compromissos posteriores (da Iª Grande Guerra em diante). Desconfio que serão ainda mais subtis e suportados por manobras de manipulação mais insidiosas. Desconfio, sim.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Citação do Dia (205)

"Há um temor errante no coração do homem de hoje e que ele depositou no mais fundo da sua consciência; todavia, como um fumo ele se evade, como um hálito fino como a luz, ele pretende subir à superfície. É um temor que sobrevive a toda a justiça feita, a toda a voz propagada; dissolve o pensamento mais provado, transforma a acção mais firmemente conduzida, para atravessar intacto até ao carácter mais implacável. Aquele que percebeu uma vez o temor, mover-se nessa região de trevas que todo o homem transporta em si próprio, nunca mais deixa de o reconhecer em todos os passos da sua vida. Nunca mais medita, escreve, contacta com os amigos, desfia ou tece intrigas, viaja, regressa, atraiçoa ou convence, sem ter esse companheiro resoluto e suave pousado na sua orelha direita, no contorno do seu dedo indicador, na pálpebra fechada, no lábio pronto a falar. Uma vez pressentido o temor, o homem precipita-se na sua autêntica condição com uma vocação tão ardente que o mundo a que se adaptou se desintegra e a realidade o assalta como algo de dinâmico e que se inicia pela primeira vez.

Alheio à significação do espaço como paisagem, se não como propriedade, desviado do ciclo elementar da vida com os seus acasos e períodos detalhados, habituado a dispor da distância, da imagem e do segredo, o homem encontra-se agora mais incapaz de compreender o temor. E, ao eliminar a dificuldade, ampliou também o domínio do temor; ao desprevenir-se dos seus azares, fez-se, ao mesmo tempo, campo de atracção duma cabala fulminante.

Assim, o traumatismo do temor atinge proporções prodigiosas numa colectividade que, por exemplo, se organizou em moldes rigorosos para destruir erros e defender direitos que ninguém se ocuparia em contestar numa sociedade natural. Mas, quanto mais uma actividade substitui uma fé, mais essa actividade, por legal e razoável que seja, está sujeita a ser vítima duma desintegração que só a interferência do temor explica. O que primeiro parecia um privilégio acabrunha como um castigo, o que se praticou como lei toma a aparência de sevícia. O homem vê-se naufragado do seu próprio movimento, não controla mais nem a razão, nem os sentimentos. Perplexo na sua realidade, ele depara com a face terrível, e no entanto salvadora do temor."


Agustina Bessa-Luís, "O Ramo de Ouro" in Ensaios e Artigos (1951-2007), FCG.