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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Diz que o Governo é neoliberal

Por Alberto Gonçalves:
Comércio injusto

O "guião" para a reforma do Estado é o produto típico de quem nunca sonhou reformar coisa nenhuma. Veja-se a RTP, cujo destino anunciado era a privatização e cujo destino verdadeiro será qualquer "solução" excepto a privatização. Pior: com ou sem "guião", o Governo não só não sabe o que quer para a televisão pública como não sabe o que esta televisão pública é. Em resposta a críticas das estações privadas, uma nota do gabinete do ministro Poiares Maduro "rejeita qualquer ideia de que pretende tornar a RTP num canal com vocação comercial".

Contemplo a programação dos canais da casa, na essência igual à de há dez ou vinte anos: cantorias "pimba"; concursos "pimba"; conversas "pimba"; noticiários "pimba"; ficção "pimba", debates "pimba"; etc. A vocação comercial da RTP já é imensa. O negócio é que anda fraco e, à semelhança de quase tudo neste país, carece de apoios. É aí que entra o contribuinte, que no fundo paga o bilhete de um filme ou de uma peça dos quais não quer ser, e não é, espectador. Nem sequer se trata de uma analogia: acontece com a RTP aquilo que por exemplo acontece na "cultura". E continuará a acontecer. Diz que o Governo é neoliberal.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Vai de vento em popa

o guião para a "reforma do estado", como se pode constatar pela anunciada emissão de jogos de futebol proposta de redefinição do "serviço público" a prestar pela RTP. Fica assim melhor esclarecida a necessidade de aumentar o subsídio à RTP a "contribuição audiovisual".

domingo, 13 de outubro de 2013

E, resumindo, é isto

que Alberto Gonçalves bem caracteriza na sua crónica de hoje - A RTP, símbolo da nação. Alguns excertos:
(...) Para tentar sossegar o estrangeiro, o Dr. Passos Coelho anuncia alterações estruturais que nunca lhe ocorreu implantar. Para tentar sossegar o eleitorado, o Dr. Portas anuncia o advento da bonança. Ambos mentem com quantos canais têm na RTP. Até agora, havia nove. Após anos de estudos e ponderações, o ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional explicou que a RTP fica melhor com treze.

Não, não desviei o assunto. Se serve para alguma coisa, a RTP serve de perfeito exemplo do modus operandi do Governo. Primeiro, declara-se a vontade de privatizar a televisão pública inteirinha, conforme a lucidez e a falência pátria recomendam. Depois, adia-se a privatização da empresa e passa a falar-se no fecho da RTP2, que todos sabem representar a maior fatia do esbanjamento daquilo. Em seguida, enterra-se o assunto. Por fim, desenterra-se o assunto, agora embelezado por um aumento de 20 ou 30 por cento na taxa do audiovisual e pela luminosa ideia dos quatro novos canais, dedicados "às áreas infanto--juvenil, música, educação e sociedade civil". O Dr. Poiares Maduro jura que a oferta actual é, cito, "insuficiente" (...)

Em suma, há um Executivo empenhadíssimo em proceder a numerosas operações estéticas a fim de parecer reformar o Estado. Há um Tribunal Constitucional (e uma Constituição) que corrobora a farsa, "provando" que o Governo fez o que pôde de modo a reduzir o Estado. Há uma oposição que, sem se rir, acusa o Governo de reduzir o Estado. E há, contas feitas, um Estado perpetuado na capacidade de alimentar os que melhor o usam. Os contribuintes, distantes destes arranjos, pagam-nos mansamente. Vale que alguns dos contribuintes são alemães, pelo que a mansidão está em risco. E os arranjos também (...)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A elegância da proboscídea

Expresso: Governo pondera novos canais para a RTP

A este anúncio, o ministro Poiares Maduro também acrescentou que a RTP1 "continuará a ser dirigid[a] para o grande público, devendo servir de regulador de qualidade, competindo com os outros canais com uma programação diferenciadora e inovadora" enquanto a RTP2 terá uma "identidade mais clara com forte [ê]nfase cultural".

Rui A não exagera quando titula que o paquiderme continua a engordar enquanto, desavergonhadamente, o Governo pretere minimizar os cortes nas pensões a manter, anafada, a proboscídea estatal.

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Nota: no dia 1 de Outubro de 2012, escrevia por aqui:
Já não falta muito para o governo "concluir" que é melhor deixar tudo como está (após uma optimizaçãozita ali e uns cortezitos acolá).

quinta-feira, 21 de março de 2013

O zénite do serviço público de televisão

Sócrates comentador da RTP a partir de Abril.

Nada que me mereça uma especial indignação agora relativamente à personagem. Quanto à instituição e à sua iniciativa,  apenas me parece ser o corolário lógico de uma mistificação que vem perdurando, até mesmo na idade da internet: a de que a televisão e a rádio públicas prestam um tão relevante serviço aos cidadãos que estes, coitados, para seu próprio bem, são obrigados a custeá-las. Se isto não é socialismo, é o quê?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sinais (17)


Já não falta muito para o governo "concluir" que é melhor deixar tudo como está (após uma optimizaçãozita ali e uns cortezitos acolá).

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Propagação da verdade

São cada vez mais raros os minutos que dedico a ver televisão e, em particular, aos serviços de notícias. Todavia, alertado por este post de Tiago Loureiro, e mesmo não esquecendo actuações de duvidosa ética já praticadas pelo jornalista Mário Crespo no passado, a verdade não deixa de ser verdade mesmo que não gostemos do mensageiro que a veicula. E ela tanto mais socialmente relevante quanto obsceno é o dinheiro que o contribuinte é obrigado a despejar no desperdício que é a RTP.


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Não sei se repararam

que o ministro das Finanças, ao mesmo tempo que "anunciava a intenção" de alargar o universo de empresas estatais a privatizar não teve uma única palavra relativamente à RTP (seja relativamente à sua "privatização" seja à modalidade de "concessão").

domingo, 2 de setembro de 2012

Serviço quantos?

Da crónica de ontem de Vasco Pulido Valente, no Público, destaco o seguinte excerto onde, sem pejo, se  escreve o que precisa ser dito, redito e m-a-r-t-e-l-a-d-o acerca de algo que nunca existiu - o "serviço público de televisão":
Pedro Passos Coelho precisa de arrumar a casa. Um problema relativamente simples como o da RTP não explica ou justifica quatro opiniões diferentes - do CDS, do dr. Borges, do indescritível Relvas (hoje na clandestinidade) e do velho lobby da extrema-esquerda e da extrema-direita, que ressurge sempre nesta matéria. Toda a gente grita e o país pasma.

E toda a gente grita porquê? Porque não quer que lhe tirem o "serviço público de televisão"? De maneira nenhuma. Desde que me lembro (e conto com o tempo da ditadura) nunca existiu em Portugal um "serviço público de televisão" e, para complicar as coisas, não existe também um único iluminado capaz de esclarecer sem retórica cultural e patrioteira o que é, na sua essência, um "serviço público de televisão". Mesmo em Inglaterra já se põem dúvidas sobre a BBC. Aparentemente, só nós descobrimos, com uma certeza absoluta, do que na verdade se trata. E, como de facto, o que descobrimos não passa de uma fantasia (ou de um saudosismo imperial), meia dúzia de extravagantes (geralmente para defender o seu emprego e o seu dinheiro) persiste em discutir o indiscutível.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Convenhamos que é divertido

Ler os useiros e vezeiros Cavaleiros do Apocalipse (alguém ainda se lembra da privatização do Diário de Notícias e da Capital ou da abertura da televisão à iniciativa privada em 1991-92?):
Mário Soares diz que modelo de concessão da RTP é "uma pouca vergonha" 
RTP: Conselho de Redacção diz que proposta de concessão prejudica os portugueses e tem "contornos pouco claros"
Mas também, e aqui o divertimento é bem maior, há algumas originalidades:
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Adenda: isto também é engraçadíssimo.

sábado, 25 de agosto de 2012

Não vi, mas não é para admirar


"Ao ver os os noticiários da RTP apercebo-me de que, pela primeira vez desde a sua criação, a RTP não está ao serviço do governo" escreve Carlos Guimarães Pinto.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Com caldos de galinha

Se for verdade o que se lê sob o título Governo concessiona RTP1 e fecha RTP2 (notícia veiculada pelo Sol com desenvolvimento prometido para a edição de amanhã), e portanto estiver errado o que aqui reproduzi (com origem no Expresso), de bom grado admitirei que Passos Coelho terá ido bem além do que eram as minhas expectativas. Mas, como há muito que pago (na factura da electricidade) sem ver nem ouvir (a RTP), é melhor deixar assentar algum do muito pó que por aí anda (sem desmentidos) e esperar pelo anúncio formal da selecção do "cenário" final.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

E não é outra coisa

Pedro Santos Guerreiro (PSG), hoje no Jornal de Negócios (realce meu), denota, também ele, sofrer da síndrome da epifania serôdia:
A RTP finalmente contratou os seus assessores para a reestruturação que há-de levar à privatização. O projecto, diz o Governo, há-de fazer-se nem que a vaca tussa. E a vaca agora está a tossir a ideia peregrina de vender uma licença. Repete-se: isso não é privatizar a RTP. É o contrário: é manter a RTP no Estado e criar o famigerado quinto canal.
Mais à frente, e depois de fazer a sua (higiénica, diga-se) declaração de interesses, PSG insurge-se conta a "perfídia" governamental:
Se o Estado alienar a licença da 2 e mantiver a 1, o que está a fazer é a criar mais um canal comercial. Em vez de dois canais e meio (a RTP tem metade do espaço publicitário dos canais privados), passará a haver três canais e meio. Para o Estado, o interesse desta operação só surge do eventual encaixe com a venda da licença. Os custos da RTP não reduzirão substancialmente em relação ao trabalho que já está a ser feito hoje. E a tentação política de lá mandar mantém-se intacta. Genial, não é?
Entendamo-nos. Estou-me borrifando para as dificuldades, actuais ou futuras, dos accionistas dos canais generalistas privados. Não entendo sequer, ainda por cima depois de a TDT ter chegado, por que razão é necessária uma licença para que possa surgir um, dois, dez novos canais generalistas. É mau para os que já estão no mercado? Talvez. Mas é a vida.

O que é realmente inadmissível, do ponto de vista moral e político é a manutenção da RTP no perímetro estatal e que todos sejamos obrigados a manter essa estrutura que nada tem para oferecer senão, em última instância, propaganda ao governo da Situação e venda de favores ao autoproclamado "ecossistema cultural" e seus directos beneficiários. Marcelo Rebelo de Sousa, o talking head dominical, foi ontem claríssimo: "[P]oliticamente é muito útil para todos os governos manter a RTP1, tem um peso que não tem a RTP2.” E não é outra coisa.

sábado, 4 de agosto de 2012

Correspondente às expectativas

assim se confirma tudo o que por aqui tenho escrito quanto à "privatização" da RTP. Um embuste.

Expresso, 04-08-2012