quarta-feira, 26 de junho de 2013

O voo de Snowden para a liberdade

Jeffrey Tucker assina um belo texto - Snowden’s Flight to Freedom. Espero não o ter desfigurado excessivamente. Edward Snowden, como Bradley Manning e outros whistleblowers não o mereceriam.
Edward Snowden
Caro resto do mundo: por favor saiba o quão doloroso é para nós americanos ver o que está a acontecer no caso de Edward Snowden.

Ei-lo voando de Hong Kong para a Rússia - países que parecem constituir refúgios do longo braço do império dos EUA. Onde acabará ele? Pode ser a Islândia, a Venezuela ou o Equador. Ele precisa de ir para um lugar onde as autoridades não possam ser intimadas a entregá-lo aos seus carcereiros e possíveis executores.

Ou isso ou arriscar enfrentar a cadeira eléctrica por ter feito o que era correcto. Embora eu compreenda a corrupção do sistema - e quão más as coisas realmente estão - não deixa de ser difícil de "processar". A lei segundo a qual ele foi acusado data de 1917, e o seu único propósito era destruir o movimento pacifista da época. Como Woodrow Wilson disse antes de a lei ter sido aprovada, "Criaturas de paixões, a deslealdade e a anarquia devem ser esmagadas".

E foram. Se alguém se manifestava contra a guerra, era preso. Os jornais foram efectivamente nacionalizados. Os preços foram controlados. Os pensadores independentes de todo o tipo foram presos. Na verdade, à época, um número de norte-americanos fugiu para a Rússia em busca da liberdade para se verem em plena Revolução Bolchevique. Então, como agora, a escolha foi entre a frigideira ou o fogo.

Sim, é verdade, sabemos que a América não tem sido ela própria de há muito tempo. Talvez nunca o tenha sido. Mas, ainda assim, lemos os Federalist Papers ["O Federalista"]. Lemos Thomas Jefferson. Lemos a Declaração [de Independência], a Constituição, as palavras de Madison e de Paine. Nós simplesmente não podemos afastar a ideia de que há algo nesta noção de que o estado tem de ser limitado e que as pessoas têm o direito à liberdade.



Snowden é um bom rapaz que pretendia que os seus concidadãos soubessem o que o nosso governo nos está a fazer. Ele queria avisar-nos que o nosso governo está a ler os nossos e-mails e SMS e a escutar os nossos telefonemas. Ele pôs a boca no trombone quando ao alarmante facto de o nosso governo estar a construir uma vasta base de dados da qual pode recorrer num qualquer momento no futuro, essencialmente permitindo ao estado colocar-se numa posição de onde possa chantagear qualquer cidadão para todo o sempre.

Não se limitou a verbalizar tudo isso. Ele provou-o através de vasta documentação. E ele pôs a boca no trombone porque pensou que isso poderia ajudar a trazer a mudança. Eu detecto algo parecido com ingenuidade na sua voz. É como se ele ainda mantivesse os velhos ideais. Talvez ele tenha prestado atenção nas aulas de educação cívica onde ensinam acerca da "Terra dos Livres" e coisas desse tipo.

Dizer que o ele revelou é inconstitucional é um eufemismo ridículo. Este programa [de espionagem da NSA sobre os próprios cidadãos americanos] despedaça não apenas a Constituição, mas toda a noção de uma sociedade liberal. Se ainda restassem quaisquer características verdadeiramente democráticas no nosso sistema, seria dada a Snowden imunidade total e ter-lhe-ia sido pedido para testemunhar perante o Congresso. Dessa forma o Congresso chegaria ao fundo do escândalo e esventrar as agências que se aproveitaram do medo da população para para pôr em práctica uma vigilância totalitária.

Infelizmente, Snowden está em fuga. Mas para qualquer sítio que vá, ele divulga novas informações. Não importa o quão mau se julgue do que já se sabe, pois parece que é ainda pior. Enquanto esteve em Hong Kong, mostrou aos jornalistas provas de que o governo dos EUA pirateou empresas chinesas de telefonia móvel para ler milhões de mensagens. Seguiram-se as comunicações de professores da Universidade de Tsinghua e o "escavar" nas bases de dados da Pacnet em Hong Kong, a sua versão da AT&T.

Estas revelações surgem depois de anos e anos de histriónicas queixas persistentes das autoridades norte-americanas de que a China tem vindo a roubar segredos comerciais dos Estados Unidos Se isso é verdade ou não (talvez tenham feito uma tempestade num copo de água), basta pensar um pouco sobre o que as informações de Snowden implicam. Imagine-se se o sapato estivesse no outro pé.

Imaginemos que um dissidente chinês veio para os EUA e forneceu ao New York Times provas de que os comunistas chineses tinham escutado os telefones dos nossos professores universitários, tinham vindo a ler os nossos SMS, e que tinha "escavado" suficientemente fundo para conseguir uma passagem directa para ouvir os nossos telefonemas.

Será possível imaginar a resposta? Haveria histeria. Os sermões dominicais do púlpito iriam uma vez mais atacar os comunistas ateus e os seus modos de actuação imperiais. Depois de algumas semanas, talvez estivéssemos até perto de uma guerra total O povo americano estaria completamente fora de si.

Imagine-se então a razão de o povo chinês poder estar ligeiramente irritado ao ouvir esta informação. E, em seguida, considere-se que os EUA estão perseguindo este denunciador exigindo que ele seja capturado como um criminoso e entregue aos EUA para um açoitamento meticuloso, uma sentença de prisão perpétua na prisão ou, possivelmente, algo ainda pior.

O que é mistificador é que tudo isso está a acontecer sob um presidente que se apresentou na corrida à presidência sob uma plataforma de encorajamento aos whistleblowers. Talvez esta promessa tivesse sido como a do presidente Mao para permitir que cem flores desabrochassem. Logo que floresceram, ele mandou cortá-las. Talvez o encorajamento dos whistleblowers por parte de Obama tenha sido desenhado para encontrar os traidores e para os eliminar.

Para dizer a verdade, duvido que seja assim. Com efeito, pergunto-me se Obama tem, de todo, controlo sobre o estado de segurança nacional. Não que me oponha a a que se culpe o presidente por tudo e mais alguma coisa, e é verdade que ele talvez possa ter intervido para o fazer parar - como talvez pudesse tê-lo pessoalmente aprovado.

O mais provável, porém, é a estranha realidade que nenhum americano realmente quer admitir: nomeadamente, que o presidente é uma figura decorativa. Um homem glorificado pelas relações públicas para o estado, e não um divino planeador central ao comando de tudo. Há apenas umas tantas horas num dia, e a maioria dos dias do presidente são preenchidos com a sua própria defesa, mantendo a sua entourage unida, pondo o brilho nas elites e nas suas políticas, encontrando-se com pessoas, etc.

O sistema é muito maior que um homem, e esse homem que toda a gente trompeteia é sobretudo um pouquinho planeador, um sobrevivente que olha para o relógio e se preocupa com o que os livros de história irão dizer a respeito dele.

No dia-a-dia das maquinações do estado, nós somos em grande parte regidos por más leis e legislação decretada por pessoas que há muito morreram - a pior parte há 100 anos atrás [referência à criação do Fed e do imposto sobre o rendimento,ambos em 1913] -  e elas são aplicadas por burocratas e actores de hoje, que não estão sujeitos a qualquer aspecto do sistema democrático. Esta combinação de lixo legislativo e inércia burocrática em nome das elites públicas e privadas é a real fonte da tirania dos nossos tempos.

10 comentários:

Anónimo disse...

É muito belo que Snowden, possivelmente de forma ingénua mas que não vou acentuar, tenha mostrado tudo aquilo. Mas o que quero acentuar, é: os resultados do que a NSA devassava é que contam e, neste pormenor, os que criticam o governo dos EUA referem SEMPRE que e cito, no futuro pode dar-se isto e aquilo...Ou seja, apenas acentuam uma possibilidade E NADA MAIS. E verifiquemos agora o seguinte: para onde vai Snowden fugir? Pois para lugares de muitíssima liberdade - como a China, o libérrimo Equador ou a mais que libérrima Cuba. Os quais, como se sabe e só os desonestos intelectualmente fingem que não sabem, OS CIDADÃOS ESTÃO SEMPRE SUJEITOS A PRISÃO, DEVASSAS E OUTROS MIMOS, SEM SER PRECISA VIGILANCIA TIPO NSA. Este é o fulcro da questão. Ou seja: toda esta barulheira à volta de Snowden não parte da pureza democrática dos que o apoiam, é sim estratégia e tática para melhor poderem atacar o país, por osmose todos os países, que postulem o direito de se defenderem dos terroristas islâmicos e de todos os outros em atividade.
É isto que os move, não um profundo apego à Liberdade. Pois em questão de Liberdade, com esses militantes extremos estamos conversados...

Emílio Sarmento

Vasco Conde disse...

Não esquecer que Obama ganhou (e aceitou) o prémio Nobel da Paz. Tão irónico...

Este SIM devia ser um motivo para os cidadãos (americanos) todos irem para a Rua pedir a imunidade de Snowden para que fosse ouvido no congresso.

A nossa liberdade individual é atacada, todos os dias e cada vez com mais força, e ninguém se revolta com isso, pelo contrario pedem mais do mesmo veneno. Onde isto vai parar??
Em ditadura e totalitarismo é o fim mais óbvio. Hayek bem tinha razão quando escreveu a sua obra "O caminho para a Servidão".

Anónimo disse...

Uma visita diária a este blog é essencial. Obrigado pelos assuntos , comentários e traduções.
espero que continue com este bom trabalho.

cumps

Rui Silva

JS disse...

Só no "Espectador Interessado" e pouco mais.

Em geral, por cá, ou por incapacidade, ou sem a coragem para análise genuína, após um silêncio, uma ocultação -ou reprodução infantil das teses dos reais infratores- na comunicação social, mesmo em blogs mais "atrevidos", saúde-se quem não tem medo de ser, mais uma vez, politicamente incorrecto.

Realçar o outro lado (o verdadeiro) do "J. Snowden affair".

Eduardo Freitas disse...

Caro Emílio Sarmento,

No dia em que se aceite, sem discussão, o postulado de que o que contam são os resultados, já estaremos vivendo num universo concentracionário.

E, de resto, que resultados tem a NSA para mostrar? Que terá evitado 50 atentados terroristas? Mas haverá no mundo algum organismo burocrático e muito menos militar que cometa haraquiri se afirmar que não "produz" resultados (já não falando da sua razão de existir)? Pois se ela nem sequer conseguiu evitar um ataque terrorista com panelas de pressão?

Será (?) irónico e diz muito do mundo de hoje, que Assange esteja sitiado na embaixada do Equador em Londres "apenas" por que corre o risco de ser deportado para os EUA pelo "crime" de ter divulgado informação inconveniente para o Império em exercício. Como irónico será (?) que Snowden tenha escolhido Hong Kong como a primeira etapa da sua fuga, ou os corredores de "trânsito" de Sheremetyevo.

"Quem não deve não teme", dirá. Acha que não? Acha que a forma como Bradley Banning foi (e continua a ser tratado) é próprio de um país amante da liberdade? Regime de solitária 24 horas/dia com uma hora fora da cela, obrigado a permanecer nu numa cela minúscula, desprovido dos seus óculos, e impedido de dormir para que os guardas se assegurassem de que não iria suicidar-se? De um julgamento (a decorrer), com carácter secreto, onde boa pate da sua defesa não foi sequer admitida em tribunal? Admira-se pois que Snowden fuja pela SUS liberdade?

Como Jeffrey Tucker nos lembra no artigo, Snowden está a ser acusado de crimes ao abrigo de uma lei de 1917 que o maníaco intervencionista Woodrow Wilson impôs aos seus "súbditos" para levar a "democracia" e o derrube das monarquias imperiais à Europa então em guerra. Não hesitou em prender, em fechar jornais e em instituir um socialismo de guerra que deixou marcas para sempre. Viu-se o desastre que legou à Europa: o caminho aberto para Hitler e para as dezenas de milhões de mortos que se seguiram.

Algo de semelhante tinha já acontecido com Lincoln, que também recorreu à prisão a eito de todos os que lhe fizeram frente (inclusive de congressistas), que fechou centenas de jornais que se opunham à guerra civil e suspendeu o habeas corpus. Foi aliás um dos seus generais, Sherman, que iniciou a prática de incinerar cidades (como Atlanta), mesmo sem que constituíssem objectivos militares. Dresden, Hamburgo, Hiroshima e Nagasaki tiveram precedentes. Não é pois difícil de perceber qual a razão que levou a que nenhum general nazi tenha sido acusado de genocídio por bombardeamento declarado a civis.

Valeu a pena os 750 mil mortos da Guerra Civil Americana? Em nome de quê? Do fim da escravatura? Não me recordo de outros países que também aboliram a escravatura onde tal tenha ocorrido.

Anónimo disse...

Noutros paises onde a escravatura foi abolida o processo efetuou-se de maneira diferente, histórica e específica. Os processos não são equivalentes, nem tampouco paralelos e muito menos iguais. Repare que eu acredito na sua honestidade intelectual enquanto propugnador da Liberdade. Dito isto, refira-se: por vezes o procedimento é assim - usa-se a palavra Império (que tem conotações fascistas-vermelhas bem claras)e a partir daí faz-se tabula rasa, voga-se em pleno à-vontade...revolucionário. E eu digo: não consintamos, clarissimamente, que o Governo (estadunidense ou outro)crie ou mantenha aparelhagem ou leis visando o domínio autoritário do mundo livre; mas AJUDEMOS A CRIAR, com os mecanismos democráticos que no ocidente AINDA existem, aparelhagem e leis que nos defendam dos "falsos irmãos" e dos "progressistas com luger nas unhas" que, de há muito, criaram Estados fascistas (tenham a cor de disfarce que tiverem) como a URSS, a Coreia, Cuba, estados islâmicos POR INTEIRO FIDEÍSTA e putativamente venezuelas ou outros. De contrário não seremos mais do que "idiotas úteis" como Snowden ou oportunistas típicos pseudo-esquerdistas como o senhor Assange.
Aproveito para saudar o seu espírito educado, bem diferente de outros operativos que usam a Net para defender o "back the popular states", assim ditos por agit-prop.

Emílio Sarmento

Eduardo Freitas disse...

Caro Emílio Sarmento,

Devolvo, retribuindo, o cumprimento pela urbanidade.

Já confesso não conseguir compreender a sua argumentação. Os mecanismos democráticos que refere estão inscritos na 4ª Emenda. Manning e Snowden(como antes Ellsberg, o "Garganta Funda" e outros, entre os quais 3 citados no post imediatamente seguinte) mais não fizeram que agir sob o seu abrigo.

Quanto a Assange, ainda é pior: ele nem sequer é cidadão americano. Imperium demonstrandum est.

Anónimo disse...

Obrigado pela urbanidade, cada vez menos usada na blogosfera onde quem discorda se torna de imediato um inimigo.
Respondendo, talvez aclarando o que desejo cifrar, é assim: no caso do "Garganta Funda", este ajudou a desmascarar um díscolo e uma coorte de malandrins (ainda que sob o nome/cargo de Presidente e sua equipa). O que esta quadrilha visava era destroçar uma formação oponente (partido democrático legalmente constituído). Não havia pois nessa "operação de canalizadores" nada que visasse a defesa de uma Nação através da potencial prisão, na altura própria e segundo regras legais permitidas por magistrados, como é a que visa resguardar-se a população de terroristas e outros malfeitores semelhantes.
Segundo ponto: como terá reparado, Assange NUNCA denunciou, nem se manifestou, contra governos fascistas como os que vigoram na Coreia, em Cuba, etc. O que ele claramente visa é concorrer para a destruição dum Ocidente, com à cabeça os EUA, no qual apesar de ferida e doente a democracia plena(cabe-nos a nós melhorá-la)o ser humano ainda não é um trapo - como nos países que o apoiaram como novo santão.

E não esqueça (é uma forma de falar, sem acinte) que no dito Império americano há as liberdades fundamentais, o que não sucedia no Império soviético e não sucede no Império islâmico histórico atual nem nos impériozinhos que só não o são em grande porque têm mais perfil de "napoléons les petits", para citarmos, com chiste, Vítor Hugo.
Resta-me referir, como óbvio, que neste ocidente existem mecanismos para nos rebelarmos (e modificarmos) o perfil dos abusos. E isto é muito. É, na verdade, quase tudo. O resto virá com o tempo em que nos saibamos integramente posicionar.

Cordialmente,

VICENTE Emílio de Sarmento e PÁSCOA

Eduardo Freitas disse...

Caro Emílio Sarmento,

Perdoar-me-á se achar que não tem razão quando assume que a motivação dos whistleblowers que citei é motivada politicamente no sentido de ao fazer "emergir" os "podres" de um lado se estaria, em consequência, a incensar as "maravilhas" do outro. Nada no seu comportamento indicia semelhante coisa. Das "maravilhas" de outros Impérios (género “o Sol que ilumina a Terra) ficámos nós a conhecê-las bem como aos restantes "paraísos" na ainda existentes. Porém, o que muitos não sabiam (e a grande maioria continua sem saber) é que o Império restante - como designá-lo modo diferente quando detém mais de 900 bases fora das suas fronteiras, um orçamento militar (de "Defesa") que é maior que a soma de todos os outros, que não sai de Alemanha ou de Okinawa desde 1945, ou da Coreia desde 1953, etc., etc, e que se auto-atribuiu a missão de patrulhar o mundo moldando-o à sua maneira sob o manto democrática - tem, incessantemente, estralhaçado a sua própria Constituição tomando por suspeitos TODOS os seus próprios cidadãos?

Anónimo disse...

Concordo consigo, Eduardo Freitas. Governos ou governantes - V. percebe a diferença - agirem de forma capciosa além de ser muito feio é ilegal. Em certos casos, mesmo criminal. A terminar, pois não quero ocupar demasiado o seu espaço/blog, aduzo apenas: como diz e muito bem no seu post sobre os professores (e verifico com prazer que é um leitor de A. Gonçalves e Olavo Carvalho, que também aprecio pele frontalidade e a inteligência sensatas) não devemos generalizar. Há na cúpula americana membros do sinistro Grupo Bilderberg, assim como comunistas disfarçados de liberais (a exemplo do secretário do Tesouro de Roosevelt, que documentadamente se verificou ser espião do KGB, ao jeito do Philby...), tal como há gente séria. E os EUA em si ainda são um local de liberdade. Sabe-se pela análise e verifica-se lá indo algum tempo ou estando lá por tempo razoável. Há coisas erradas? Sim. Há gente infame? Sem dúvida. Mas o saldo é globalmente positivo. Daí que, sem estarmos do lado de abusadores, não devemos ceder à propaganda sistematicamente corrosiva, matraqueante e orientada dos que visam instaurar coisas infinitamente piores, como teria sido o fascismo-vermelho moscovita ou, agora, o fascismo verde dos mullahs.

O seu leitor que o saúda

V. Emílio Sarmento P.