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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Mises, a queda do Muro, e a persistência da falácia socialista sob novas vestes

Num discurso proferido na Conferência do ELDD - Grupo Europa da Liberdade e da Democracia Directa do Parlamento Europeu (cuja principal formação é o UKIP) -, em 12 de Novembro último, para assinalar o 25º aniversário do fim da Cortina de Ferro, Philipp Bagus - o autor de A Tragédia do Euro - produziu um breve discurso que reputo de simultaneamente didáctico, incisivo e desassombrado perante a realidade que defrontamos. Didáctico, pela forma como esquissa a prova da impossibilidade de cálculo económico que Ludwig von Mises elaborou em 1920, antecipando em 70 anos o colapso do sistema comunista. Incisivo e desassombrado, porque não receia apontar os males profundos e estruturais que nos assolam: por um lado, a cada vez mais sufocante teia regulatória (a nacional e a de Bruxelas); por outro, pela espiral intervencionista do "socialismo monetário" constituído pela moeda fiat e pelo banco central. Alerta por fim para as tentativas que vêm ocorrendo com o intuito de suprimir a utilização de numerário (cash) que, a terem sucesso, nos colocariam em pleno totalitarismo monetário (já pouco falta, aliás). Por este motivo, entendi que poderia ser útil traduzir a sua intervenção, o que se faz abaixo. Para quem preferir ver e ouvir a intervenção de Bagus ao vivo, pode fazê-lo aqui.
Muito obrigado pela simpática introdução.

Gostaria de agradecer ao grupo ELDD o amável convite. É uma grande honra e um prazer estar aqui no 25º aniversário da queda do Muro.

Philipp Bagus
Quando o Muro foi derrubado em 1989, a maioria das pessoas foi apanhada de surpresa, incluindo os economistas da Escola de Chicago. Sherwin Rosen afirmou em 1997 que "o colapso do planeamento central na última década foi uma surpresa para a maior parte de nós". E Ronald Coase observou igualmente: "Nada do que tinha lido ou conhecido sugeria que o colapso iria ocorrer."

Bem, mas houve um grupo de economistas que não ficou nada surpreendido: os da Escola Austríaca de economia. Isto porque o grande economista austríaco Ludwig von Mises havia anunciado, logo em 1920, a impossibilidade do planeamento económico racional sob o socialismo num ensaio intitulado "Die Wirtschaftsrechnung im zocialistischen Gemeinwesen" [Cálculo Económico Sob o Socialismo - NT]. É assim que Murray Rothbard, já em 1971, se referia a Mises como sendo "o profeta do colapso do planeamento central".

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Será que não há fuga do euro?

Imagem retirada daqui
Apesar da sua juventude, o Professor Philipp Bagus, discípulo do "austríaco" Jesús Huerta de Soto, é uma reconhecida autoridade, dos dois lados do Atlântico, em matéria monetária, sendo disputada a sua presença e intervenção em variadíssimos fóruns em plena crise do euro. Hoje mesmo foi publicado mais um artigo sobre a matéria intitulado Is There No Escape from the Euro?, cuja leitura integral recomendo, onde volta a pronunciar-se favoravelmente quanto a "haver vida para além do euro". Para Bagus, ela existe, e é mais saudável - e livre - que a actual, embora reconheça a existência de dificuldades e mesmo de perigos que todavia, na sua opinião, serão ultrapassáveis com reformas e adequada habilidade táctica no período de transição. O artigo termina assim (minha tradução):
A honestidade intelectual exige que se reconheça existirem custos importantes numa de saída do euro, tais como problemas jurídicos ou os associados ao "desemaranhar" do BCE. No entanto, estes custos podem ser atenuados por reformas ou por hábil pilotagem. Alguns dos alegados custos são na verdade benefícios do ponto de liberdade, tais como os custos políticos ou a liberalização dos fluxos de capitais. Na realidade, outros podem mesmo ser vistos como uma oportunidade, como uma crise bancária que seja usada para reformar o sistema financeiro e, finalmente, colocá-lo sob uma base sólida. Em qualquer caso, estes custos devem ser comparados com os enormes benefícios em sair do sistema que consistem na possível implosão do Eurosistema. Sair do euro implica deixar de fazer parte de um inflacionário sistema de auto-destruição monetária, de crescentes estados de bem-estar, queda de competitividade, resgates financeiros, subsídios, transferências, risco moral, conflitos entre nações, centralização, e, em geral, uma perda de liberdade.
Nota: o artigo aqui referenciado retoma uma intervenção, que também dei conta por aqui, que Bagus fez em Bruxelas, num fórum patrocinado pelo UKIP e dirigido por Godfrey Bloom.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O euro e as suas tragédias

Já me referi, por várias vezes, ao livro de Phillip Bagus, "The Tragedy of The Euro" ou, na (fraquinha)  tradução portuguesa, "A tragédia do euro".
PDF
Aqui ou aqui

Aqui, em entrevista a Alasdair Macleod da Gold Money Foundation (via ZH), Bagus revisita o tema. Vale a pena ouvi-lo com atenção - é da "nossa" moeda que fala! - e perceber como, afinal, um médico obstetra de 76 anos de idade, Ron Paul, não é um excêntrico quando, repetida e incansavelmente, aponta para os perigos da manipulação monetária por parte dos bancos centrais, em particular, da Fed.

sábado, 19 de novembro de 2011

Agora também em português


a tradução de "The Tragedy Of The Euro" (PDF em inglês), por Philipp Bagus, de que já por várias vezes falei aqui. A apresentação do livro e do autor é, improvavelmente, assinada por João Ferreira do Amaral. Em qualquer língua, trata-se de uma leitura imprescindível.

sábado, 15 de outubro de 2011

O colapso do projecto do Euro

Uma excelente ocasião, conduzida por Godfrey Bloom do UKIP (United Kingdom Independence Party), para antever, e assim preparar o futuro após o colapso do euro o qual, recorde-se, é uma criação socialista de "engenheiros sociais" que, como lhes é intrínseco, pretenderam "acelerar" a História. O primeiro palestrante, o Professor Wilhelm Hankel, foi quem no ano passado promoveu junto do Tribunal Constitucional Alemão a tentativa, falhada, de declarar ilegais os bailouts aos países do euro. A sua palestra endereçou o tema: "Currency Union or Foreign Exchange rate Union?" (aos 5:20 do video). De seguida, o Professor Philipp Bagus (41:20), referência frequente neste blogue, falou sobre "Pratical steps to withdrawing from the Euro" (intervenção aqui, em pdf). A sessão de perguntas e respostas (a partir das 1:23:10) foi igualmente muito interessante (aqui a transcrição).

domingo, 9 de outubro de 2011

A Alemanha e o futuro do Euro (2)

DOWNLOAD grátis
Já por várias vezes me referi ao livro de Philipp Bagus figurado na imagem ao lado que veementemente volto a convidar a ler pois a meu ver fornece uma poderosa chave interpretativa para compreendermos o que está a acontecer à moeda única e, aos portugueses. A primeira menção que fiz ao livro (em Dezembro passado) foi motivada pela circunstância de a Spiegel online ter publicado uma entrevista com dois economistas que de algum modo mimetizam a oposição identificada por Bagus. Ou seja, a oposição entre a visão liberal da construção europeia, da promoção do livre comércio, da livre circulação de pessoas e capital no respeito pela diversidade das nações - a de Adenauer, Schumann ou de Gasperi - e a visão centralista e socialista de Mitterrand e Delors que persegue a construção de uma fortaleza, proteccionista face ao exterior e profundamente intervencionista no espaço interno, comandada por um conjunto de tecnocratas estatistas que não respondem politicamente a ninguém e que perseguem, num afã sem descanso, uma equalização regulatória nos diferentes estados membros, tantas vezes (só aparentemente) ridícula no pormenor a que chega. 

Regresso à menção do livro novamente por um trabalho publicado na Spiegel que me parece revelador da subtil digestão que vai ocorrendo na Alemanha e que a Spiegel, vem, paulatinamente transmitindo aos seus leitores. Está a chegar a hora da verdade - em que já não serão possíveis novos adiamentos. Vejo sinais  que os responsáveis alemães se aprestam a tomar decisões difíceis. Esta série de artigos da Spiegel indiciam-no:

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A "ganância" capitalista versus o "altruísmo" estatista

Philipp Bagus, no seu excelente The Tragedy Of The Euro (de borla aqui, em formato digital), ao apresentar a oposição entre a visão liberal clássica dos pais fundadores (Adenauer, Schumann e de Gasperi) face à visão socialista e imperial de Mitterrand e Delors, explicita-as da seguinte forma relativamente às matérias fiscais:
Enquanto os defensores da primeira entendem que a competição fiscal entre países promove a responsabilidade fiscal e incentiva taxas de imposto mais baixas, os segundos, estatistas que perseguem a construção de um estado supranacional, sempre defenderão que se, e por exemplo, as taxas do IVA se situarem entre 15 e 25% nos Estados Membros o que haverá a fazer é conseguir com que todos os países adoptem os 25% desta forma eliminando a concorrência fiscal favorecendo os países mais fortes economicamente (recorde-se da recente luta que a Irlanda travou face às suas taxas de IRC).
Vem isto a propósito deste artigo cujo título - "It's crucial we send a message to Bono that what he is doing is wrong" - bem demonstra como o articulista se insurge pela banda U2 e o seu líder, Bono, terem deslocado a sua sede fiscal da Irlanda para a Holanda, fugindo de uma alteração de impostos ocorrida na Irlanda em 2006 que os penalizava. A próxima realização do Glastonbury festival foi motivo para que o Daily Mail voltasse com este episódio à baila.

Cabe observar, como faz Michael Suede, que aparentemente há quem pense a única forma apropriada para remunerar os artistas seja através do Estado através da coerção a redistribuição da riqueza.

sábado, 14 de maio de 2011

A União Europeia da dívida e o planeamento central

só podem conduzir ao desastre do euro(*). A lucidez de Nigel Farage e o combate sem tréguas aos burocratas estão bem evidenciados no video seguinte.


(*)- Já me referi por mais de uma vez ao livro de Philipp Bagus, disponível de borla a partir do link que se segue: The Tragedy of the Euro

terça-feira, 29 de março de 2011

De como a bancarrota pode ser saudável

David Howden, co-autor com Philip Bagus do mui recente "Deep Freeze" (em versão digitalizada aqui)  relativo à crise financeira que assolou a Islândia, em entrevista ao Libertad Digital, apresenta as teses contidas no livro. À pergunta "Qual foi o caminho que a Islândia escolheu para lidar com a sua crise financeira?", Howden responde de uma forma em que me revejo:
«Islandia eligió la ruta del default para lidiar con su colapso. El banco central había garantizado la deuda del sector bancario, que fue imposible de pagar sin recurrir a la inflación. El seguir este curso de acción tiene ventajas e inconvenientes, aunque creo que las ventajas superan a las desventajas.

En cuanto a los inconvenientes, inflar mucho la oferta monetaria para reducir el valor real de las deudas existentes implicó una gran redistribución de riqueza. Algunos empresarios que tenían cargas de deuda insostenibles fueron efectivamente rescatados. La inflación eliminó gran cantidad de ahorros.

Afortunadamente, en Islandia este efecto fue minimizado. Se siguió la vía convencional de la bancarrota y se permitió quebrar a las empresas y bancos. Al permitir que la mayoría de las malas inversiones se liquidaran, Islandia minimizó la inflación que era necesaria para saldar las deudas sobre el resto de la economía.

La ventaja de esto es que Islandia pudo empezar de nuevo. El reajuste puso fin a la continuación de estas malas inversiones. Aunque causó pánico en el corto plazo, la vía del default (suspensión de pagos) ha puesto a Islandia en un lugar privilegiado para el éxito a largo plazo. Cuando la crisis golpeó al país, el Gobierno islandés pidió ayuda internacional -algo similar a lo de Grecia o Irlanda-. No dispuestos a sostener a un barco que se hundía, solo les proporcionaron una cantidad de financiación internacional limitada, y en fecha tardía.

Como consecuencia, el Gobierno islandés se vio forzado a hacer notables recortes de gasto que otros países no han acometido. La falta de un esfuerzo concertado para el rescate por parte de la comunidad internacional -como el que hemos visto con Grecia o Irlanda- fue la que de hecho salvó al país de una situación mucho más grave al traer las reformas necesarias para un futuro sostenible.»
__________________
Adenda: no excelente Economic Policy Journal, Bob Wenzel escreve, concordando com Howden, sob o título S&P Downgrades Portugal and Greece:
Bankruptcy or inflation is the ultimate "solution", given that residents of the PIIGS will riot against cuts in government payouts.

A bankruptcy would hurt the elitist banks holding PIIGS paper, which means if you are a betting man, choose inflation. The only question remaining is whether the European Central Bank does the printing, or whether the eurozone breaks up and each of the PIIGS resorts to bringing back their separate original currencies that they then inflate.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A Alemanha e o futuro do Euro

O livro que se mantém na vitrina, "The Tragedy of the Euro", de Philipp Bagus, contém uma resenha histórica da evolução do projecto de integração europeia desde os tempos da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço - CECA (criada em 1951 pelo Tratado de Paris) passando pelo EURATOM e pela Comunidade Económica Europeia (criadas pelo Tratado de Roma em 1957) passando pela Comunidade Europeia até à actual União Europeia. O autor defende a tese de que desde o início se têm defrontado duas perspectivas distintas para o processo de integração europeia. Uma, de pendor mais liberal, apostando na preservação de uma Europa de nações e das suas diferenças, cujos protagonistas principais têm sido a Alemanha, a Holanda e a Grã-Bretanha; a outra, especialmente acarinhada pelos partidos socialistas, nomeadamente o Francês e os dos países mediterrânicos, que tem promovido uma visão voluntarista de engenharia social europeia que, entre outras características, persegue o combate ao poderio económico e, portanto, político, da Alemanha tendencialmente imperial (para quem continua a manter uma leitura ortodoxa das origens das duas Grandes Guerras).

Perante a crise do euro que vimos assistindo estas duas correntes políticas têm, naturalmente, defendido posições distintas. Os que querem "domar" a Alemanha e reforçar o projecto político europeu (leia-se, colocar a Alemanha a subsidiar os países atavicamente mal-comportados) avançam, por exemplo, com a proposta de lançamento de dívida pública europeia (eurobonds) e com a fuga para a frente que representaria a transferência para Bruxelas dos instrumentos de política orçamental, ou seja, para a criação decidida de uma Europa federal. Por seu lado, os defensores da perspectiva liberal não querem ouvir falar nisto sequer continuando a defender um projecto de integração mas no respeito da diversidade ciosos da preservação da soberania que ainda mantêm face a Bruxelas.

É por tudo isto que aconselho vivamente a leitura desta entrevista promovida pela Der Spiegel onde participam dois renomados economistas alemães que são intérpretes razoavelmente fiéis às duas correntes atrás enunciadas. É uma entrevista particularmente interessante já que não se refugia num economês para iniciados.