sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O longo prazo chegou e tão cedo não se irá embora

Vasco Pulido Valente (VPV), na sua crónica no Público de hoje, pergunta: "É a democracia compatível com o Estado providência?" Por outras palavras: será que precisamos de "suspender" a democracia para salvar o Estado social? VPV, fazendo referência aos apelos que se vão ouvindo para que um qualquer Monti lusitano ocupe o lugar de Passos Coelho, terminava a crónica com um sério aviso a Cavaco Silva "[Q]ue tome cuidado. Muito cuidado."

A mim, o que me parece totalmente incompatível é a persistência de um Estado social da dimensão do nosso quando a economia não gera recursos para o manter. E esse é que é o problema que em Portugal, praticamente, só Medina Carreira fala e os restantes, olimpicamente, ignoram (talvez por ignorância dos princípios elementares da aritmética). Não obstante, chega um momento em que já não será possível continuar a empurrar o problema com a barriga e, nestes últimos dois anos, já vimos sentindo a violência que o contacto com a realidade pode significar. Aliás, em minha opinião, boa parte do longo prazo de que falava Keynes, já chegou. E tão cedo não se irá embora.

O problema não me parece que resida na potencial oposição entre Estado social e democracia. A verdadeira questão está na (in)capacidade em ultrapassar a irresponsabilidade financeira do estado português democrático de que os últimos 38 anos constituíram exemplo exuberante. Mas um qualquer "Monti à moda do Minho" ou até mesmo um general, não poderá deixar de escapar ao inevitável recuo do Estado social1. Fá-lo-emos, como de costume, e por razões essencialmente ideológicas, demasiado tarde. Iremos pagar com língua de palmo por isso.
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1Por exemplo, nas pensões de reforma, através da introdução de plafonamento (veja-se o caso da Suíça onde a pensão máxima de reforma por velhice não excede os 1900 euros para um indivíduo e 2840 para um casal (dados de 2011)).

3 comentários:

Vivendi disse...

Excelente post Eduardo!

Bom fim de semana.

António Lapa disse...

5*

Anónimo disse...

Ludwig von Mises disse: «a história do dinheiro é a história dos esforços governamentais para desvalorizar o dinheiro.» Tão simples quanto isto!