sábado, 9 de abril de 2011

A despesa pública da riqueza privada

Não foi necessário que a Economia se tornasse uma área reconhecida do saber para que o rei descobrisse formas de ultrapassar a míngua do tesouro ora causada pela guerra por onde entendeu enveredar, ora pela grandeza da obra pública com que pretendia dotar o reino (de utilidade efectiva ou não...) quando não era conveniente aumentar os impostos (pelo receio de revolta generalizada dos súbditos). Afastada que estivesse a hipótese de aumentar os impostos, ou o rei esperava que da guerra resultasse um saque que permitisse cobrir a despesa adicional ou, as mais das vezes, recorria ao truque de diminuir a quantidade de ouro ou prata para assim "aumentar o valor" do tesouro e, dessa forma, diminuir o esforço para pagar os empréstimos contraídos na moeda anterior à sua desvalorização.

Contemporaneamente, generalizou-se a adopção generalizada da moeda fiduciária e da sua emissão, em regime de monopólio, por um banco central, sem qualquer ligação a um dado stock de ouro ou prata. O papel-moeda, que começou por ser uma promessa de pagamento em espécie (uma dada quantidade de ouro) deixou assim de ter qualquer valor intrínseco. Em suma, tornou-se baratíssimo fabricar dinheiro como a República de Weimar demonstrou à exaustão.

Sensivelmente ao mesmo tempo, instalou-se como mainstream, uma ortodoxia académica no âmbito da Economia muito conveniente para um qualquer governo propenso a corrigir as "imperfeições" do mercado, a acorrer aos desvalidos e menos validos, a diminuir os diferentes tipos de "desigualdades" e assim por diante, numa espiral crescente aparentemente sem fim. Se as receitas do Estado eram superiores às despesas ora se recorria às rotativas do banco central ora à contracção de dívida pública, ou a uma combinação de ambas para além da contínua subida dos impostos, taxas, emolumentos, etc.

Chegava-se assim à asserção que as finanças de um país nada tinham a ver as regras da economia doméstica ou da empresa privada. A dívida pública não era um problema pois podia ser devidamente "gerida" pelos grandes economistas. Tretas.

 Margaret Thatcher:
«The state has no source of money other then the money people earn themselves.»
«There is no such thing as public money there is only taxpayers money.»

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