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sábado, 6 de setembro de 2014

"A paranóia antideflacionista", por Jesús Huerta de Soto

Um antídoto contra a barragem de propaganda da elite manipuladora, amplificada pelo habitual papaguear extasiado dos media convencionais, é a proposta que deixamos para o fim-de-semana. Ele consiste em uma recente alocução do professor Jesús Huerta de Soto em que este desmonta o que muito propriamente designa da "paranóia antideflacionista" que a elite propala a bem de uns beneficiários muito específicos. Uma hora de visionamento que, assim o julgamos, pode proporcionar um elevado retorno e permitir perceber por que razão coisas como esta possam estar a acontecer sem que o céu se abata sobre as cabeças dos (moderadamente) hereges.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Porque é que a maioria dos intelectuais odeia o capitalismo?

Neste artigo de opinião do Prof. João Caraça - um cientista de nomeada no domínio da Física - o autor, apesar de cometer alguns erros de palmatória (por exemplo, quando toma o PIB num ano como medida da riqueza nesse ano) acerta no alvo quando escreve, socorrendo-se de Marx: "Se a religião era o ópio do povo no século XIX, bem podemos considerar o crédito barato como a droga mais dura do nosso tempo." Porém, parece evidente que não é nos bancos centrais que o Prof. João Caraça está a pensar quando propõe enviar os perpetradores do crédito barato para a cadeia!

E aqui surge o pretexto para recorrer ao sempre eloquente Thomas Sowell:
«A maior parte dos intelectuais fora da área da Economia mostra pouquíssimo interesse em aprender os fundamentos básicos da teoria económica. Todavia, não hesitam em produzir afirmações radicais sobre a economia em geral, as empresas em particular, e as muitas questões que giram à volta do que é designado por "distribuição do rendimento".»
Thomas Sowell in "Intellectuals and Society"
E de voltar a insistir, secundando O Insurgente, através da veemência magistral de Jesús Huerta de Soto (que invoca Bertrand de Jouvenel), para procurar responder à pergunta que serve de título ao post: ignorância, soberba, ressentimento e inveja (e lá voltamos a Sowell). 7 minutos que valem a pena. Para quem preferir ler um texto, em português europeu, construído a partir deste vídeo, pode ir até aqui.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

A Grande Guerra 1914-1918 – Algumas notas e fragmentos (II)

"Uma análise da história dos conflitos militares dos últimos dois séculos revela, claramente, que muitas guerras com efeitos devastadores para a humanidade poderiam ter sido prevenidas, ou seriam menos nocivas, não fosse a crescente influência dos estados na definição de políticas monetárias, em particular a sua influência e controlo da expansão do crédito e da criação de moeda. De facto, os governos têm escondido o verdadeiro custo destes conflitos dos seus cidadãos, usando procedimentos inflacionários para o seu financiamento. Que, ao abrigo da emergência militar, os tem deixado impunes. Por conseguinte, podemos afirmar com segurança que a inflação alimentou as guerras."

Jesús Huerta de Soto (2009), "Money, Bank Credit and Economic Cycles" (pp. 758, 759)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Os Escolásticos de Salamanca e a Ciência Económica: uma lição magistral por Jesús Huerta de Soto

Uma excepcional oração de sapiência por parte do incontestável líder da Escola Austríaca em Espanha (Philipp Bagus, um seu jovem discípulo bem conhecido, está sentado entre a assistência), proferida na homenagem a Diego de Covarrubias (um dos escolásticos do "século de ouro" espanhol, proferida na catedral de Segóvia, em Novembro passado. Jesús Huerta de Soto apresenta o caso da Escolástica tardia espanhola para "reivindicar" as raízes da Escola que Carl Menger, em 1871, viria a iniciar. Traçando sucessivos paralelos entre os ensinamentos de então e os caminhos que a doutrina económica dominante assumiu nos sécs. XX e XXI, com as terríveis consequências que hoje conhecemos e atravessamos, Huerta de Soto aponta o dedo da responsabilidade a Adam Smith (como Murray Rothbard já o havia feito). Absolutamente fascinante, para quem se interessa pela história económica.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Portugal e a Zona Euro: permanecer ou abandonar? (2)

(Continuação daqui)

Como sempre acontece, o sector privado da economia rapidamente se ajusta. Se não há crédito disponível, os agentes privados não têm como escapar: já não podem despender mais do que o seu rendimento. Inclusivamente, com as famílias, verifica-se um fenómeno aparentemente paradoxal: embora, no agregado, o rendimento disponível diminua, a poupança aumenta!

Já com o Estado, o ajustamento às novas condições de forte restrição de crédito é muito lento e talvez mesmo virtualmente impossível sem default: Por um lado, porque é "impensável", por politicamente muito perigoso, pôr em causa as "conquistas civilizacionais" do Estado social (até que...); por outro, porque a gigantesca burocracia estatal (a oficial e a "paralela") é de uma tenacidade a toda a prova quando se trata de se auto-proteger (sabe muito bem que a melhor forma do fazer é, até, de clamar pelo seu contínuo crescimento).

Chegados aqui, surge a pergunta em título. Devemos nós abandonar a Zona Euro, desvalorizar e, em consequência, automaticamente empobrecer face ao exterior para, de seguida, imprimir dinheiro freneticamente ao ritmo das reivindicações de reposição do poder de compra pelos sindicatos (em regra, sem sucesso) e assim criar um novo ciclo inflacionista dos preços? Ora nós já vimos este filme por duas vezes num passado não longínquo. Alguém acredita que, deixados a nós próprios, iríamos conseguir adoptar uma política orçamental responsável sem recurso sistemático ao imposto da inflação?

É esta, no essencial, a razão pela qual creio ser desejável que permaneçamos na Zona Euro. Ainda que de uma forma imperfeita, essa condição obriga o Estado português a observar regras mínimas de "austeridade", ou seja, que não gaste sistematicamente mais do que recebe via impostos (e sem sofrer as consequências de os aumentar). Se o não fizermos também no futuro, o crédito voltará a secar. É esta a disciplina que o euro nos impõe. E se é certo que o BCE tem vindo a acelerar, por diversas formas, a monetização das dívidas soberanas (criando moeda para o efeito), há razões fortes para pensar que a sua dimensão, pelo menos enquanto a Alemanha permanecer na Zona, nunca será tão acentuada como a que sucederia sob um regime de moedas nacionais (nacionalismo monetário).

Creio, assim, que Jesús Huerta de Soto tem toda a razão (do ponto de vista dos países fiscalmente irresponsáveis como é o nosso) quando tem a ousadia intelectual de propor uma defesa do euro enquanto substituto, ainda que imperfeito, para a disciplina orçamental que um regresso a um padrão-ouro exigiria. (Inclusivamente na sugestão que faz a Philipp Bagus, seu antigo discípulo e autor da Tragédia do Euro de proceder a uma alteração no título desta última obra para "A Tragédia do Banco Central Europeu (e não do euro)").

Nota: em sentido contrário ao que aqui defendo, ver a coluna de hoje de Camilo Lourenço.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Fraude, o porquê da Grande Recessão

Jesús Huerta de Soto, professor catedrático de Economia do Instituto Juan de Mariana de Madrid e um dos mais proeminentes representantes da Escola Austríaca na Europa, foi o principal patrocinador do documentário que se segue através do qual se proporciona uma narrativa radicalmente revisionista daquela veiculada pelo mainstream.

Segundo esta, não são os mercados que devem ser responsabilizados pela Grande Recessão; pelo contrário, as suas origens resultam antes das profundas intervenções dos governos e manipulações dos bancos centrais nas economias. Através de mecanismos fraudulentos, são estas acções que provocam ciclos recorrentes de euforia e depressão. Aliás, imputar a responsabilidade das crises a entidades que há muito deixaram de existir - como os "mercados livres" (free markets) - é esquizofrénico, senão mesmo intelectualmente desonesto.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Ciências sociais vs ciências naturais

Já por várias vezes procurei chamar a atenção (entre as quais, aqui, aqui e aqui) para as semelhanças que me parecem ocorrer entre as (inevitavelmente fúteis) tentativas de modelar (= prever) o clima e, por maioria de razão, uma Economia. Não irei aqui repetir as razões da futilidade de prever a evolução de sistemas complexos não-lineares, por muito poderosos que sejam quer o poder computacional disponível (que há décadas cresce exponencialmente), quer o número de equações e variáveis utilizadas na sua modelização. Gostaria apenas de chamar a atenção que, sendo o clima uma matéria indisputavelmente do domínio das ciências físico-naturais (das coisas, portanto) e a Economia do universo das ciências sociais (das pessoas e das suas interacções), a complexidade destas últimas é muitíssimo superior à das ciências físico-naturais. Porque, ao contrário das pessoas, de cada indivíduo, o sol, os oceanos, os ventos ou as pedras, não agem, não reagem, não pensam, não têm propósitos.

Jesús Huerta de Soto (JHS) explica as necessárias diferenças metodológicas entre ciências naturais e ciências sociais e o paradoxo que resulta de, sendo estas últimas muitas mais complexas que as primeiras ("complexíssimas" na classificação que JHS faz nesta lição), todo o mundo achar, por exemplo, que "sabe" de Economia ainda que reconheça que "nada sabe" sobre, sei lá, física quântica.



domingo, 6 de novembro de 2011

Explicação não ortodoxa da queda do Império Romano

pelo professor Jesús Huerta de Soto, catedrático de Economia Política na universidade Rei Juan Carlos, em Madrid. Huerta de Soto, autor do monumental "Money, Bank Credit, and Economic Cycles", é uma das mais proeminentes figuras da Escola Austríaca na Europa. Preparados para ouvir que não foram as invasões bárbaras que explicaram a queda de Roma e do seu império?


Nota: será talvez oportuno voltar a chamar atenção para o livro "New Deal In Old Rome" (em PDF), publicado em 1947.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Padrão-ouro - o regresso de uma "impossibilidade"


Licenciei-me em Economia no início dos anos 80. Na altura, o plano de estudos não tinha cadeiras de opção e o naipe de professores era  impressivo. Entre outros, Silva Lopes, Alfredo de Sousa, Cavaco Silva, Campos e Cunha, Sérgio Rebelo, António Borges, António Mexia, Abel Mateus, Amado da Silva, Borges de Macedo, Adérito de Sedas Nunes. Era o tempo da ortodoxia keynesiana onde ainda se discutia o suposto trade-off entre desemprego e inflação (curva de Philips) e onde não havia espaço, sequer, para falar sobre a Escola de Chicago, impressionante produtora de prémios Nobel da Economia como Milton Friedman (1976), George Stigler (1982), Gary Becker (1992) ou Robert Lucas (1995). Por maioria de razão, nomes como Carl Menger, Bohm-Bawerk, Ludwig von Mises, Friedrich Hayek (apesar do prémio Nobel em 1974) ou Murray Rothbard, dos mais distintos da denominada Escola Austríaca, eram-nos totalmente desconhecidos.

De então para cá, a sucessão de crises resultantes dos sucessivos ciclos de boom and bust fez-me sentir uma insatisfação crescente quer dos keynesianos quer dos monetaristas em fornecer uma chave de interpretação do porquê dos booms e dos subsequentes busts. Foi assim que cheguei ao estudo da Escola Austríaca onde encontrei um quadro interpretativo para todas as crises desde os inícios do século XIX.

Jesús Huerta de Soto, catedrático de Economia da Universidade Juan Carlos em Madrid, é hoje um dos mais representativos nomes no mundo da Escola Austríaca, sendo que a publicação do seu livro figurado na imagem à esquerda "Moeda, Crédito e Ciclos Económicos" (pdf em espanhol ou inglês) constitui um marco na defesa da regresso ao chamado padrão-ouro e ao fim da prática das reservas fraccionárias. Ora sucede que uma discussão que até aqui se vinha confinando a alguns círculos académicos ou a figuras tidas por excêntricas (como é o caso de Ron Paul), está a alargar-se significativamente. Por exemplo, o Parlamento britânico debruça-se sobre a questão das reservas fraccionárias o próprio Banco de Inglaterra admite o seu fim e dias depois de o próprio presidente do Banco Mundial aventar a possibilidade de regresso a uma sistema monetário ligado ao ouro (como sucedia até 1971), a discussão intensifica-se.

Matéria a seguir atentamente.