sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Capitalismo selvagem

Ryanair vende viagens para a Europa a 14,99 euros. Segundo o Económico, "[a] partir do aeroporto de Faro ou do Porto, os clientes da Ryanair vão poder viajar para a Europa [1000 destinos] por menos de 15 euros."

Um autêntico escândalo! Não será igualmente inconstitucional?

7.11%? E não será inconstitucional?


Retirado daqui, à hora da publicação do post.

Da inexistência de credibilidade das administrações americanas

Ontem, Peter Klein, escrevia a propósito da (falta de) credibilidade das alegações humanitárias (!?) da administração americana para justificar o bombardeamento, unilateral, na Síria (minha tradução):
"Os EUA têm que bombardear a Síria, dizem-nos, para manter a sua "credibilidade" no palco mundial. Eu não consigo entender isso. O governo dos EUA invadiu, ocupou e desestabilizou o Afeganistão e o Iraque. O Exército dos EUA usa bombas de fragmentação, de fósforo branco, e munições de urânio empobrecido, todos elas proibidas ou desencorajadas através de tratado ou convenção internacional. O Presidente apoia a execução extrajudicial, as extradições não judiciais e a tortura, todas elas proibidas pelas Convenções de Genebra. A NSA espia os seus próprios cidadãos, em violação da lei dos EUA, e nega esse facto até ser apanhada em flagrante. Que credibilidade é possível atribuir ao governo dos EUA?"
James Bovard, por seu lado, em "We can't trust White House Syria claims", e a propósito do celebérrimo massacre de oficiais polacos, perpetrado pelo exército vermelho, ocorrido durante a II GG na floresta de Katyn, em 1940, que só o ano passado, mais de 70 anos depois(!) e mais de 20 após o fim da Guerra Fria (!!), se soube oficialmente que os EUA tinham "abafado" a verdade, faz observar que, a nada acontecer que modifique o secretismo, aliás crescente, das administrações americanas, só em 2082 os EUA admitirão a verdade sobre o caso sírio.

Vejamos, então, recorrendo à história recente, e sem invocar inúmeros exemplos de operações de false flag, que viriam a "justificar" as pré-desejadas intervenções guerreiras pela administração imperial em exercício, "Dez ataques com armas químicas que Washington não que falemos". Segue-se uma tradução minha, parcial e adaptada, deste artigo de Wesley Messamore. As  imagens têm a mesma proveniência.

1 - As forças armadas dos EUA lançaram 75 milhões de litros de produtos químicos sobre o Vietname de 1962 a 1971


Durante a Guerra do Vietname, as forças armadas dos EUA pulverizaram as florestas e terras agrícolas do Vietname e países vizinhos com 75 milhões de litros de produtos químicos, incluindo o muito tóxico Agente Laranja, para deliberadamente destruir o abastecimento alimentar, arrasar a ecologia da floresta e devastar a vida de centenas de milhares de pessoas inocentes. O Vietname estima que em resultado de uma década de ataques químicos, 400 mil pessoas tenham sido mortas ou mutiladas, 500 mil bebés tenham nascido com problemas congénitos e 2 milhões tenham sido vítimas de cancro ou outras doenças. Em 2012, a Cruz Vermelha estimou que um milhão de pessoas no Vietname são deficientes ou têm problemas de saúde relacionados com o Agente Laranja. [E, todavia, como Patrick J. Buchanan, assinalava "Depois de 58 mil mortos, saímos do Vietname. Quantos americanos mataram os vietnamitas desde que partimos?".]

2 - Israel atacou civis palestinianos com fósforo branco em 2008-2009


O fósforo branco é uma horrível arma química incendiária que faz derreter a carne humana até aos ossos.

Em 2009, múltiplos grupos de direitos humanos, incluindo o Observatório dos Direitos Humanos, a Amnistia Internacional e a Cruz Vermelha Internacional informaram que o governo israelita estava a atacar civis no seu próprio país com armas químicas. Uma equipa da Amnistia Internacional afirmou ter encontrado "provas irrefutáveis de utilização generalizada de fósforo branco" enquanto arma em áreas civis densamente povoadas. O Exército israelita negou as acusações no início, mas acabaria por vir a admitir que elas eram verdadeiras.

Após a série de acusações destas ONG, os militares israelitas chegaram mesmo a atingir o quartel-general da ONU (!), em Gaza, com um ataque químico. Que havemos de pensar de todas estas provas quando as comparamos com as do caso contra a Síria? Por que não tentou Obama bombardear Israel?

3 - Washington atacou civis iraquianos com fósforo branco em 2004


Em 2004, jornalistas "embebidos" nas forças armadas dos EUA no Iraque começaram a relatar a utilização de fósforo branco em Fallujah contra insurgentes iraquianos. Inicialmente, os militares mentiram e disseram que só estavam a usar fósforo branco para criar cortinas de fumo ou para iluminar alvos. Depois, admitiram ter usado o volátil produto químico como arma incendiária. À época, a emissora de televisão italiana RAI exibiu um documentário intitulado "Fallujah, o massacre escondido", que incluiu imagens sombrias de vídeo e fotografias, bem como entrevistas a testemunhas oculares residentes em Fallujah e a militares dos EUA que revelavam como o governo dos EUA fez indiscriminadamente chover fogo químico branco sobre a cidade iraquiana derretendo mulheres e crianças até à morte.

4 - A CIA ajudou Saddam Hussein a massacrar iranianos e curdos com armas químicas em 1988


Os registos da CIA provam agora que Washington sabia que Saddam Hussein estava a usar armas químicas (incluindo gás de nervos sarin e gás mostarda) na Guerra Irão-Iraque, no entanto, continuou a fornecer informações secretas ao exército iraquiano, informando Hussein dos movimentos das tropas iranianas sabendo que ele usaria essas informações para lançar ataques químicos. Em certo ponto no início de 1988, Washington advertiu Hussein para um movimento de tropas iranianas, que teria terminado a guerra com uma derrota decisiva para o governo iraquiano. Em Março um encorajado Hussein com novos amigos em Washington atingiu uma aldeia curda ocupada por tropas iranianas com múltiplos agentes químicos, matando cerca de 5 mil pessoas e ferindo pelo menos 10 mil mais, a maioria deles civis. Milhares de pessoas morreram nos anos seguintes de complicações, doenças e malformações congénitas.

(...)
7 - O FBI atacou homens, mulheres e crianças com gás lacrimogéneo em Waco, em 1993



No infame cerco em Waco de uma pacífica comunidade de Adventistas do Sétimo Dia, o FBI bombeou gás lacrimogéneo para dentro de edifícios sabendo que mulheres, crianças e bebés os ocupavam. O gás lacrimogéneo era altamente inflamável e acabou por dar origem a um incêndio que envolveu os edifícios em chamas levando à morte de 49 homens e mulheres e 27 crianças, incluindo bebés e crianças. De lembrar, que atacar um soldado inimigo armado num campo de batalha com bombas de gás lacrimogéneo é um crime de guerra. Que tipo de crime constitui um ataque contra um bebé com gás lacrimogéneo?

Ler o resto do artigo aqui.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Do consenso cozinhado de 97% ao real de 0,3%

Cooks ’97% consensus’ disproven by a new peer reviewed paper showing major math errors, no WUWT. Como se recorda no texto, Michael Crichton enunciou uma definição de ciência (natural) em termos definitivos:
"If it’s science, it isn’t consensus; if it’s consensus, it isn’t science."

Michael Crichton
Mas não se espere que Obama vá agora ao Twitter emendar a mão... pois a sua agenda, também aqui, é a da promoção de interesses especiais. É aliás disso que trata o livro "Crony  Capitalism in America" de que aqui dei ontem conta. 

A ler

Equidade e confiança (um resumo), por João Miranda.

Do pretenso rigor e correspondente ridículo

Segundo o Económico (versão digital), verificou-se que "[o] número de desempregados em Espanha baixou em 31 para 4.698.783 milhões em Agosto" (realce meu).

Isto faz-me lembrar uma anedota, verídica, de um director de informática, há um quarto de século atrás, que quando perguntado sobre o número de PC então existentes na sua empresa respondeu que seriam "perto de sete"!

Destruição criativa

Are We Rome?

Ron Paul emitiu mais uma notável declaração agora relativamente ao que está em causa no pedido de autorização que Obama vai endereçar ao Congresso a propósito do anunciado ataque com mísseis à Síria. Pela sua importância, achei relevante traduzir o texto, o que faço mais abaixo. Antes dele, porém, uma chamada de atenção para um notabilíssimo livro da autoria de Cullen Murphy, com uma estrutura narrativa invulgar (talvez até única), cujo título, "Are We Rome?: The Fall of an Empire and the Fate of America", é em boa medida glosado no texto de Ron Paul.
O presidente Obama anunciou neste fim-de-semana que ele decidiu usar a força militar contra a Síria e que solicitaria autorização do Congresso quando este voltar a reunir após a pausa de Agosto. Cada membro tem a obrigação de votar contra esta utilização irresponsável e imoral da força militar dos EUA. Mas mesmo que cada um dos representantes e senadores venha a votar a favor de uma outra guerra, isso não melhorará essa terrível ideia pelo simples facto de se verificar uma espécie de aceno de cumprimento da Constituição. De resto, o presidente deixou claro que a autorização do Congresso é supérflua, ao afirmar, falsamente, que ele tem a autoridade para agir sozinho, com ou sem o Congresso. Que o Congresso se permita a si próprio ser tratado como uma montra de decorações pelo presidente imperial é algo de simplesmente espantoso.

O presidente afirmou no Sábado que o suposto ataque químico na Síria, a 21 de Agosto, significou "um grave perigo para a nossa segurança nacional". Discordo da ideia de que cada conflito, cada ditador e cada revolta, em qualquer parte do mundo, seja de alguma forma crítica para a nossa segurança nacional. Esse é o raciocínio de um império, não de uma república. É o tipo de pensamento que este presidente partilha com o seu antecessor e que está a conduzir-nos à falência e à destruição das nossas liberdades na nossa própria terra.

De acordo com recentes notícias da comunicação social, os militares não têm dinheiro suficiente para atacar a Síria pelo que haveria que ir ao Congresso para obter uma autorização de despesa suplementar para levar a cabo os ataques. Parece que o nosso império está no fim das suas possibilidades financeiras. Os ataques limitados que o presidente defendeu para atacar a Síria custariam aos EUA algo na casa das centenas de milhões de dólares. O chefe do estado-maior conjunto das forças armadas, General Martin Dempsey, escreveu ao Congresso no mês passado a dizer que só o treino dos rebeldes sírios e dos mísseis em número "limitado" e dos ataques aéreos significariam uma verba na "ordem dos milhares de milhões" de dólares. Devemos compreender com clareza o que uma outra guerra irá significar para a economia dos EUA, para não mencionar os efeitos dos custos desconhecidos adicionais, tais como um aumento brusco nos custos dos combustíveis em resposta ao disparo dos preços do petróleo.

2 novos livros 2

Dei-me hoje conta lendo o Circle Bastiat. Pareceu-me valer a pena traduzir as sinopses dos dois novos livros de Hunter Lewis (o segundo vai para a minha lista de compras). É o que se segue:
Em "Free Prices Now!" [link] começa-se por indagar da razão que leva a que a raça humana seja ainda tão pobre. Como é possível que milhares de milhões ainda não tenham sequer o suficiente para comer? De seguida, é fornecida a resposta. Uma sociedade próspera é uma sociedade de cooperação. A cooperação, por sua vez, depende da confiança. E a confiança requer honestidade.

O barómetro mais fiável da honestidade económica é o proporcionado pelos preços. Preços honestos, que não sejam manipulados nem controlados, proporcionam a investidores e consumidores sinais económicos confiáveis​​. Eles constituem a fundação da prosperidade económica.

Uma sistema económico corrupto não pretende preços honestos, informação honesta, ou resultados honestos. A verdade pode não ser vantajosa para os poderosos líderes governamentais, para os interesses privados a eles aliados , ou para os "especialistas" económicos cujas carreiras têm sido dedicadas à manipulação e controlo de preços.

A Reserva Federal dos EUA e outros bancos centrais criaram um sistema de "empréstimos mentirosos" ["liar loans"] e falsos preços. Outras partes da administração têm igualmente contribuído . Com efeito, os reguladores de quem dependemos tornaram-se desreguladores.

Será que a resposta possa ser tão simples, que a prosperidade económica e o crescimento do emprego estejam dependentes da permissão que os preços económicos digam a verdade, livres de teorias de regulação ao serviço de poderosos interesses especiais?

Sim.

E em "Crony Capitalism in America"[link]:

Quando os interesses privados necessitam de favores políticos, eles sabem com quem devem contactar. Quando os políticos necessitam de dinheiro, também sabem com quem devem contactar. As pessoas envolvidas tentam manter o essencial desta troca de favores de forma bem escondida atrás de portas cerradas.

Este é o sistema que prevalece na Rússia após a queda do comunismo. Mas é cada vez mais o sistema dos Estados Unidos.

Muita gente considera Wall Street como sendo o epicentro do capitalismo americano. Na realidade é o epicentro do "crony capitalism" [capitalismo de compadrio] americano. É impossível dizer onde pára Wall Street e começa Washington. Esta situação não foi provocada, como muitos supõem, pelo crash de 2008. Pelo contrário, o crash foi causado pela parceria de longa data entre Wall Street e Washington. Mas o problema vai muito para além de Wall Street e vai a todos os cantos da América.

Se pretendermos fazer alguma coisa acerca dos nossos actuais problemas económicos, e também proporcionar aos pobres uma oportunidade de uma vida melhor, teremos de eliminar o crony capitalism e restaurar uma economia honesta.

Embora cheio de histórias de arrepiar os cabelos, este livro endereça também as soluções. Em termos claros e simples, diz-nos o que está errado e o que é necessário fazer a esse respeito.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Hollande, le Ridicule

Esta notícia - França quer intervir na Síria mas só se for acompanhada - é reveladora do estado do estado francês e, em particular, do seu actual presidente. Manietado pelo secular intervencionismo, os dirigentes do estado francês buscam desesperadamente oportunidades de se colocar em bicos de pés para recordar que a França não desapareceu e que continua a perseguir a sua grandeur. (Escrevi umas linhas sobre isto aqui, há um par de meses, a propósito de declínio económico do país afogado num estatismo crescente.)

Entretanto, mão amiga fez-me chegar à mão a crónica de Vasco Pulido Valente (VPV) no Público, intitulada "O ridículo mata", publicada no passado dia 24 de Agosto que, já exangue após meros 15 meses de mandato com níveis de impopularidade recorde, não encontra melhor antídoto para lidar com a gravíssima crise económica interna que intentar mais uma aventura numa ex-colónia (no caso chamaram-lhe "mandato", mas como VPV assinala, era um mero eufemismo). Transcrevo-o agora (à falta de um digitalizador) pela sua oportunidade. Uma chapelada de cartola!
«Disse ontem [Sexta-feira, 24 de Agosto] que o Ocidente se tinha mostrado cauteloso e, até certo ponto, desinteressado da guerra civil na Síria. Não me lembrei da França, que se julga desde o princípio do século XIX a entidade redentora da humanidade. Não só, segundo a ortodoxia, ensinou a liberdade aos povos, como a grande revolução de 1789-1794 (que, por acaso suprimiu qualquer vestígio de liberdade), mas serviu de modelo a Lenine e aos bolcheviques no glorioso golpe de Estado de 1917. Esta fé continua a ser essencial à cultura política do Estado e da "inteligência". Infelizmente, depois de 1815 e da derrota definitiva de Napoleão, a França nunca foi mais do que uma potência de terceira ordem; e desde o fim da II Grande Guerra perdeu mesmo a "supremacia" cultural, que sempre lhe dava algum consolo e importância.

Hoje quase desapareceu. Apesar de uma literatura incomparável, pouca gente lê a sua língua. Pátria da "haute" e da "baixa" cuisine, é agora, a seguir à América, a maior consumidora per capita da fast food do McDonalds. E o resto nem merece discussão. O que aparentemente deixa a França sem meios para afirmar a sua "grandeza". Neste compreensível desespero, o socialista François Hollande, a quem falta a pose e a oratória do general de Gaulle (e também o talento político), resolveu ressuscitar o velho belicismo do país: uma escolha tradicional, mas sem dúvida um pouco estranha, porque a França não ganha uma guerra de 1918 para cá. De qualquer maneira, o terrível Hollande, no meio de uma economia em estagnação, já se meteu na insurreição contra Kadhafi e nos conflitos do Mali. Com certeza que lhe soube bem esta espécie de "glória".

E a Síria não lhe podia ficar indiferente. Primeiro, porque foi um mandato francês (de facto, uma colónia com outro nome). Segundo, porque as barbaridades de Assad manifestamente chamavam "a grande redentora da humanidade". Enquanto as verdadeiras potências (a América, a Rússia, a China e a Inglaterra) tentavam não se imiscuir numa guerra que não compreendiam e que envolve uma apreciável parte do Médio Oriente muçulmano (o Irão, o Iraque, o Qatar e a Arábia Saudita) - Hollande proclamou o dever de punir Assad e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, pregava na televisão a necessidade de usar a "força". Como os franceses dizem, o ridículo mata.»

Coincidências, mistificações e um pouco de história

Foi notícia, no dia de ontem, a declaração de John Kerry, Secretário de Estado de Obama, quando afirmou que "Assad has now joined Hitler and [Saddam] Hussein" pelo facto de, alegadamente, Bashar al-Assad ser o responsável pelo incidente com armas químicas (provavelmente gás sarin) que levou à morte de centenas de pessoas no passado dia 21 de Agosto.

Embora não haja notícia de que Hitler, nem outro qualquer beligerante, tenha usado armas químicas durante os combates na II Grande Guerra, no plano estratégico ou táctico, todos sabemos que quer o lado "bom" quer o "mau" não fez outra coisa na I GG. Mas o que talvez poucos saibam é que em 1920, e exactamente a propósito do Iraque, um dos que veio a ganhar o epíteto de "grande homem" propusesse coisas como esta: 
"I am strongly in favor of using poisoned gas against uncivilized tribes"

Tendo ontem decorrido o 74º aniversário do início da II Grande Guerra, com a invasão da Polónia por parte dos exércitos nazis, é talvez oportuno que nos perguntemos por que razão a utilização de armas químicas (ausentes, repito, da II GG) é moralmente mais repugnante que aquelas outras de fósforo branco ou de napalm que nela foram extensa e intensivamente utilizadas, na Europa e no Japão (já não falando das duas bombas atómicas detonadas), para arrasar cidades inteiras e exterminar, às dezenas de milhar, os seus habitantes civis (Hamburgo, Dresden, Tóquio, etc.). É aliás muito curioso que o morticínio sistemático, a uma escala anteriormente desconhecida de populações civis através de bombardeamentos, não tenha sido considerado crime de guerra durante os julgamentos em Nuremberga.

Certas indignações selectivas que por aí se ouvem, particularmente as que ocorrem nos meios tidos por "progressistas", deveriam ser contrastadas com o que os EUA, com presidentes democratas e republicanos, fizeram na Indochina durante a guerra do Vietname com o "agente laranja", com os efeitos conhecidos em número de vítimas mortais, incontáveis estropiados e centenas de monstruosidades geneticamente induzidas pelos químicos. Ou na aplicação intensiva e extensiva de uma das inovações dos finais da II Grande Guerra que ficou imortalizada na famosa fala de Robert Duvall no filme de Francis Ford Coppola, Apolypse Now: "I love the smell of napalm inthe morning".