sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Passou-lhe depressa (2)

Na sequência do meu post Passou-lhe depressa, subscrevo o conteúdo da crónica de João Miguel Tavares, no CM, de que transcrevo um trecho (itálico meu):
«O gabinete do ministro da Solidariedade e Segurança Social justificou a passagem dos 50 para os três mil centímetros cúbicos de cilindrada explicando que aquele era o único carro disponível, que foi alugado pelo anterior governo, que há uma central de compras que gere essas coisas, que Pedro Mota Soares não teve nada a ver com o assunto. Acredito. Mas que o governo PSD/CDS não tenha ilusões – foi ele próprio que deitou mão de um discurso moralista e muito escrupuloso para justificar a sua actuação. Agora, o mínimo que se exige é que as atitudes dos ministros coincidam com aquilo que andam a pregar.»

4 comentários:

Anónimo disse...

Em vez de alimentarmos discussões bizantinas seria melhor começarmos pela análise do contrato de ALD (?) com base no qual o carro foi adquirido pelo Estado. Isto permitia saber duas coisas importantes: quem é o responsável pelo contrato, e em que condições o Estado o pode usar e ver-se livre dele.
AM

Eduardo F. disse...

Caro AM,

Sou, acredite-me, um adepto da actuação pragmática. Mas a questão aqui é, no essencial, do domínio do simbólico. Aí reside a minha crítica para com Mota Soares e não é o facto de ele não ser - como certamente não o será -, responsável pelo renting do A7, que o isenta dessa responsabilidade que ele mesmo chamou a si com a estória da Vespa.

Anónimo disse...

Caro Eduardo F.
Habituei-me ao longo deste tempo a uma grande ponderação no que escreve (para lá doutras - igualmente grandes - qualidades...).
E é por isso mesmo que desta vez não compreendo o texto.
Há um custo irreversível neste negócio que - por ser isso mesmo - não julgo que o esteja a pôr em causa.
Assim nesta fase das duas uma:
1. ou é mais barato o Estado devolver o carro e o Mota Soares pedir um menos dispendioso, ou seja diminuí-se a despesa que os Contribuintes têm de suportar; e sendo esse o caso em nome da coerência espera-se que a medida já esteja a ser implementada;
2. ou é mais económico manter o automóvel (porque o valor da indemnização mais o valor da nova aquisição e respectiva exploração, conduz a uma despesa superior à de manter o carro na frota do Estado).
Ora o que eu referi é que não é possível saber pela qual se deve optar, sem uma análise do contrato (absolutamente ruinoso ao que tem constado...). E esta, até agora, não a vi em lado nenhum... Nestes assuntos, que envolvem o dinheiro dos nossos impostos, não me interessam as aparências, o que conta mesmo são os factos: o simbolismo, ao contrário do pragmatismo, não paga, mais, esta conta...
:-)
Atentamente,
AM

Eduardo F. disse...

Caro AM,

Antes de tudo o meu obrigado pelos elogios ainda que naturalmente muito excessivos.

Quanto a esta estória, creio que a sua posição é clara, julgando eu que a minha também tinha sido. Vejo agora que não. Explico-me, assim, telegraficamente: Mota Soares não poderia ter feito outra coisa que não fosse recusar o automóvel, cedendo-o, na hipótese de o negócio estar "blindado", a um outro colegas seu de Governo que certamente não se importaria nesta data de renovar a sua viatura de serviço.

Cumprimentos.